Inconformado com manobra, Renan ameaça voltar à presidência

Senador confidenciou a um amigo que não gostou do adiamento da votação de seus processos e pode voltar 2ª

Christiane Samarco , do Estadão,

20 de novembro de 2007 | 13h34

O presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), confidenciou esta manhã a um senador de seu grupo que está disposto a reassumir o cargo de presidente na próxima segunda-feira, se não tiver outra alternativa. Inconformado com o adiamento da votação de seu processo em plenário, que estava prevista para esta quinta-feira e foi adiada por conta de uma manobra da oposição, Renan se recusa a renovar a licença de 45 dias, que vencerá no dia 26.   Veja também:  Oposição usa Renan como trunfo para retardar CPMF  Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan    Entenda a cobrança do imposto do cheque  CPMF e caso Renan serão votados em dezembro, diz Tião Viana   Na conversa por telefone com o colega de Senado, Renan se queixou de ter feito "todos os gestos" para amenizar a crise e melhorar o ambiente político para que o governo tivesse tranqüilidade para votar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).  Ao interlocutor, Renan desabafou e disse que mesmo tendo feito sua parte e cumprindo calendário combinado, seu processo não foi votado e, por isso, não iria renovar sua licença.   Renan descartou a volta à presidência como opção sua, dizendo que preferia "evitar problemas", mas se a "crise" já estava instalada, não havia porque renovar licença.     Na última segunda, o  líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que iria forçar o adiamento da votação que poderia cassar o mandato de Renan. Relator do caso contra o peemedebista na Comissão de Constituição e Justiça, o tucano disse que não entregará seu parecer nesta semana, protelando a definição sobre o caso. Se Virgílio entregasse o texto à CCJ na quarta-feira, como era previsto, o plenário do Senado poderia votar no dia seguinte a recomendação do Conselho de Ética da Casa, que pede a perda de mandato de Renan, acusado de utilizar "laranjas" para esconder a aquisição de veículos de comunicação em Alagoas. Parlamentares são proibidos de deter meios de comunicação. "A oposição teme um acordão envolvendo CPMF e o mandato do senador Renan. Por isso, não vou apresentar nesta semana o meu parecer na CCJ", disse o líder do PSDB a jornalistas, referindo-se ao interesse do governo nos votos dos senadores para prorrogar até 2011 a CPMF.     Só em dezembro   O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT), afirmou nesta terça-feira, 20, que tanto o julgamento de Renan quanto a prorrogação da CPMF serão levados ao plenário ainda este ano. Ele espera que o parecer sobre a constitucionalidade do pedido de cassação de Renan seja votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até o dia 28 e levado ao plenário entre os dias 4 e 5 de dezembro.     Em relação à emenda que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), Tião afirmou que o governo trabalha com a data do dia 14 de dezembro para que a matéria seja votada em primeiro turno da casa. A partir daí, contando o prazo de cinco sessões úteis, o segundo turno da PEC seria levado à votação no dia 21 de dezembro, último dia legislativo do ano.   Questionado como poderia garantir as datas já que há medidas provisórias obstruindo a pauta, Tião afirmou que "há um prazo regimental a ser cumprido. E CPMF e Renan serão votados nesse ano legislativo".

Tudo o que sabemos sobre:
Caso Renan

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.