Incêndio em porta-aviões militar deixa um morto no RJ

Fogo no alojamento dos tripulantes também feriu marinheiro, que está internado na UTI de hospital da Marinha; em 2005, outro incidente causou três mortes

Alessandra Saraiva, da Agência Estado

22 de fevereiro de 2012 | 11h15

Atualizado às 18h26

RIO - Um incêndio no porta-aviões São Paulo, da Marinha do Brasil, deixou um marinheiro morto e um ferido na madrugada desta quarta-feira, 22. O fogo ocorreu por volta das 3h em um alojamento dos tripulantes, na popa do navio. A Marinha trabalha com a hipótese de pane elétrica como origem das chamas e instaurou inquérito policial-militar para investigar o ocorrido. Peritos foram para a Ilha das Cobras, na Baía de Guanabara, onde a embarcação está fundeada, para colher evidências que subsidiem a investigação.

 

Quando o fogo começou, os dois militares não conseguiram sair do alojamento; colegas só conseguiram retirá-los posteriormente. Um dos feridos, Carlos Alexandre dos Santos Oliveira, morreu por volta das 5h da manhã de quarta-feira. O outro, José de Oliveira Lima Neto, está internado da UTI do Hospital Marcílio Dias, da Marinha, com quadro estável, de acordo com a Marinha. O comando da Força classificou o incêndio como de pequeno vulto e afirmou que foi controlado com rapidez, antes que atingisse áreas estratégicas do navio. Por isso, as operações da embarcação não serão afetadas.

 

Paradas. O fogo foi mais um incidente da série que marca a história do São Paulo desde que foi comprado da França em 2000, por US$ 12 milhões, e o deixou fora de operação boa parte do tempo. Rebatizado São Paulo (seu nome francês era FS Foch), em maio de 2005 o porta-aviões sofreu rompimento de uma rede de vapor, causando um incêndio que matou três tripulantes. O reparo não levaria mais de seis meses, mas a Marinha antecipou uma manutenção preventiva, que duraria dois anos.

 

Em outubro de 2007, parte dos reparos foi concluída, e o navio chegou a reiniciar as operações, mas o eixo propulsor direito apresentou problemas e precisou ser substituído. Segundo a Marinha, só essa operação consumiu mais de um ano. Os militares aproveitaram para modernizar a planta propulsora dos caças e revisar equipamentos. Cerca de R$ 80 milhões foram gastos na manutenção.

 

O porta-aviões deixou o cais em meados de 2009, após quatro anos fora de operação. Durante este período, ficou no Arsenal de Marinha, no Rio. Em agosto daquele ano, ocorreriam as primeiras provas de mar do navio-aeródromo brasileiro desde que foi para o estaleiro, devido ao acidente em 2005.

 

Novas avarias estenderam os trabalhos e a embarcação só voltou aos testes do mar em 2010. Em 2011, a embarcação retornou ao setor operativo e chegou a passar uma estadia no porto de Santos, onde ficou aberto à visitação.

 

Características. Com 266 metros de comprimento, 160 dos quais ocupados pela pista de pouso e decolagem, o São Paulo é a maior embarcação da Armada e o único porta-aviões da América do Sul. Construído entre 1957 e 1960, como embarcação da Classe Clemenceau, recebeu seu primeiro nome em homenagem a Ferdinand Foch, comandante dos Aliados na Primeira Guerra Mundial. Pode transportar até 37 aviões, além de helicópteros, e tem capacidade para tripulação de 1.030 homens. A maior parte dos 23 caças da Marinha - velhos A-4 Skyhawk, comprados do Kwait - não sai do chão, por falta de recursos para manutenção.

 

Nau capitânia da Marinha do Brasil, o São Paulo voltou à ativa em meio ao esforço de reequipamento da Marinha dentro da Estratégia Nacional de Defesa. O comandante da Marinha, almirante Júlio de Moura Neto, pretende investir nele R$ 23,4 bilhões até 2014. Substituiu o velho Minas Gerais, que fora adquirido pelo presidente Juscelino Kubitschek (1955-1960). Colaborou Alexandre Rodrigues.

 

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