Incêndio destruiu 35 mil processos trabalhistas

A presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, Ana Maria Conssermelli, informou que 35 mil processos trabalhistas foram queimados no incêndio do prédio do Ministério do Trabalho no Rio, onde também funcionava o TRT."Vinte e dois juízes estão sem gabinete e todos os 35 mil processos foram queimados", disse Ana Maria, ao descer hoje de manhã os andares atingidos, visivelmente emocionada. "Está tudo alagado e a Defesa Civil não me deixou passar para uma parte que corre risco de desabar", contou.Ana Maria explicou que quem tinha processo no TRT terá de iniciar um processo específico de restauração dos autos para refazer tudo. "Dificilmente teremos condições de voltar a funcionar aqui neste prédio", disse.O Banco do Brasil ofereceu uma área para que o Tribunal possa se instalar provisoriamente, mas a juíza afirmou ainda não saber onde é. "Não vai ser este incêndio que fará o Tribunal parar de funcionar. Nós vamos continuar trabalhando", disse."Depois do escândalo em São Paulo, não queria falar, mas o único TRT que não tem prédio próprio é o do Rio. O de Rondônia é monumental e aqui, que é 1ª Região, sempre vivemos de favor do Ministério do Trabalho", comentou. Diante do ministro interino do Trabalho, Paulo Jobim, a presidente do TRT afirmou ter certeza de que o Tribunal receberá toda a assistência do governo.A juíza disse não acreditar que o incêndio tenha sido intencional. "Todos os funcionários saíram às 17h30. Não tinha ninguém do Tribunal aqui no prédio na hora do incêndio, só dois ou três que são do Ministério", informou. De acordo com ela, todos os extintores de incêndio e a manutenção das instalações estavam em dia.Emocionada, a juíza contou que trabalha no local há 36 anos. "Eu amo isso aqui. É como se fosse minha casa porque passo mais tempo aqui", disse Ana Maria, que estava em Angra dos Reis ontem e voltou de madrugada.DesabamentoParte do prédio do Ministério do Trabalho no Rio pode desabar devido ao incêndio, iniciado por volta das 18h30 da sexta-feira. "As estruturas foram afetadas pelo incêndio e há risco de desabamento", afirmou o comandante da operação dos bombeiros no caso, tenente Kempers.Ele disse ainda que ontem, pela manhã, ainda havia focos de incêndio que os bombeiros estavam trabalhando para apagar. "Hoje estamos trabalhando no rescaldo, apagando uns focos e continuando a perícia, ainda não tivemos tempo de procurar as causas do incêndio", disse Kempers.Ele contou que o incêndio foi identificado primeiro no 11º andar do prédio, mas existe a possibilidade de ter começado em outro andar. O fogo atingiu até o 14º andar do prédio.Transferência O Ministério do Trabalho no Rio poderá ser transferido, provisoriamente, do prédio incendiado no centro do Rio para outro no bairro de São Cristóvão, na zona norte. "Estamos examinando a possibilidade de levar tudo o mais rápido possível para São Cristóvão", disse o ministro interino do Trabalho, Paulo Jobim, que veio ao Rio por conta do incêndio."Há uma destruição muito grande de material, de computadores e de processos", disse. De acordo com ele, processos da áreas de pessoal, inclusive de aposentadorias, e financeiros que estavam na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) do Rio, além dos processos no Tribunal Regional do Trabalho, foram queimados."As perdas processuais não serão tão grandes porque os cadastros com o histórico-funcional dos trabalhadores estavam no subsolo, que não foi atingido pelo incêndio, e em São Cristóvão. Assim, será possível reconstruir os processos, mas evidentemente isso vai dar um trabalho enorme e demora bem mais".Os processos financeiros estão também em um sistema informatizado, o que facilita a recuperação. Os processos fiscais da DRT não foram atingidos pelo incêndio.

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