INB estabelece limite para inspeção nuclear

A proteção à tecnologia nacional foi a principal causa alegada pelo governo brasileiro para negar o pedido de instalação de uma câmera de vídeo da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) próximo à centrífuga central da unidade de enriquecimento de urânio em Resende (RJ). O diretor de enriquecimento das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Carlos Bezeril, explicou que há permissão para instalar câmeras na unidade para o controle de entrada e saída do urânio, desde que a centrífuga não seja mostrada. Isso porque o equipamento foi desenvolvido no Brasil e possui custo operacional menor do que o existente fora do País. Hoje Bezeril e o diretor de combustíveis das INB, Samuel Sayad, acompanharam a imprensa em visita à unidade de Resende para esclarecer as denúncias da AIEA, publicadas pelo jornal Washington Post, de que o Brasil estaria resistindo à inspeção local porque tinha a intenção de destinar o urânio para finalidades bélicas.Segundo Bezeril, "não há a menor possibilidade que isso aconteça". Mesmo porque, explicou ele, o Brasil possui tecnologia para enriquecer o urânio em até 5%, enquanto para fabricar a bomba há a necessidade de o combustível ir até a 95%. Para chegar neste índice a unidade de Resende teria que ser ampliada e receber novos investimentos. A unidade deve começar a operar em outubro produzindo 220 mil UTFs de urânio, que devem abastecer as usinas de Angra 1 e 2 até 2010. A unidade vai proporcionar ao País uma economia de US$ 12 milhões com o processo de enriquecimento do combustível, que hoje é feito na Alemanha e na Holanda.

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