Inauguração do Instituto ACM vira ato político na Bahia

o Instituto Antônio Carlos Magalhães de Ação, Cidadania e Memória (IACM) foi inaugurado na manhã de hoje no Pelourinho, em Salvador. A um mês da eleição, o evento, que teria "caráter suprapartidário", segundo o deputado ACM Neto (DEM), porém, foi fortemente marcado pelas críticas à atual administração estadual - o governador Jaques Wagner (PT) é candidato à reeleição.

TIAGO DÉCIMO, Agência Estado

03 de setembro de 2010 | 20h09

A localização do imóvel no qual o instituto foi feito, o Terreiro de Jesus, motivou a maior parte das críticas - um dos principais temas de ataques do DEM para a atual administração é o suposto descaso da administração estadual com o bairro, um dos símbolos da capital baiana. O instituto tem como foco principal formar jovens para atuar na administração pública.

"O centro histórico de Salvador está abandonado e isso não acontecia com ACM", atacou ACM Neto. "Nos últimos quatro anos, o governo da Bahia deu as costas ao Pelourinho", completou um dos candidatos do DEM ao Senado, José Carlos Aleluia.

O ex-governador Paulo Souto (DEM), adversário de Wagner na eleição, fez coro. "Não tem desleixo de governante que seja capaz de ofuscar o que o Pelourinho representa para a Bahia". Souto aproveitou o evento para promover uma caminhada com simpatizantes pelas ladeiras do centro histórico.

Homenagem

De acordo com o senador ACM Júnior (DEM), que passa a presidir o IACM, o instituto, além de prestar uma homenagem ao seu pai - "no local que ele mais amava" -, servirá para a formação de gestores, públicos e privados. "Não haverá direcionamento político nos cursos", garante. Entre os primeiros cursos oferecidos estarão Oratória e Organização Política, por exemplo.

O espaço, de 400 metros quadrados, reúne um memorial com documentos, condecorações, fotos e vídeos relativos à carreira política de ACM, além de uma biblioteca, que deve acolher todo o acervo de livros da família. As reformas no casarão consumiram cerca de R$ 200 mil.

Líder nacional do antigo PFL (atual DEM), ACM morreu em julho de 2007, aos 79 anos, em São Paulo, por falência múltipla dos órgãos. Em sua carreira, foi prefeito de Salvador, governador da Bahia, ministro das Comunicações e senador. Ele completaria 83 anos amanhã.

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