Inauguração das Casas Bahia em favela vira reportagem no 'FT'

Jornal britânico diz que loja popular entre pobres 'não sofre com crise'.

Da BBC Brasil, BBC

14 de novembro de 2008 | 07h15

A abertura de uma loja das Casas Bahia, rede varejista de móveis e eletrodomésticos, na favela Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, é tema de uma reportagem publicada na edição desta sexta-feira no maior jornal de economia e finanças da Europa, o Financial Times. "Não há recessão no horizonte das Casas Bahia, uma rede de lojas popular entre os pobres do Brasil", disse o texto, assinado por Jonathan Wheatley. "Embora não seja mais barata do que muitas lojas que têm como alvo fregueses mais ricos, ela é imensamente popular entre os pobres porque permite que paguem em pequenas prestações - e com taxas de juros altas de, em média, 4,5% ao mês, ou cerca de 70% ao ano", explica o jornal. "Os fregueses recebem um bloco com guias para pagamento e precisam ir à loja para pagar. Isto faz com que elas fiquem voltando e, normalmente, comprando - a menos que estejam entre os 10% que deixam de pagar." "Sorrisos" Wheatley diz que, na inauguração da filial, "centenas de pessoas na frente da loja dançam, pulam e abanam os braços como se não existisse amanhã". "Conversa de crise econômica é recebida com sorrisos pelos consumidores" que invadem a loja quando as portas se abrem. A empresa "espera que as vendas aumentem de R$ 13 bilhões no ano passado para R$ 14 bilhões este ano. Ela gastou R$ 2 milhões para abrir esta nova loja. Outras 30 vão se seguir no ano que vem, inclusive outras em favelas". O repórter destaca ainda que 40 dos 50 empregos na loja foram para moradores de Paraisópolis, "uma das maiores favelas do Brasil", e que "isto é importante para fomentar boas relações". "A maioria das favelas é área não recomendável para forasteiros - com freqüência dominada por gangues de narcotraficantes e outros criminosos." "Com empresas capazes de operar sem serem perturbadas, muitas outras estão se preparando para se juntar às Casas Bahia", diz o Financial Times. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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