Lúcio Bernardo Júnior
Lúcio Bernardo Júnior

'Inaceitável', afirma Temer sobre invasão da Câmara

Em pronunciamento lido pelo porta-voz da Presidência, presidente condena manifestação de grupo que defende intervenção militar; ministro da Defesa chamou caso de 'inaceitável'

Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2016 | 23h30
Atualizado 17 de novembro de 2016 | 13h48

Brasília - O presidente Michel Temer condenou nesta quarta-feira, 16, a invasão do plenário da Câmara por manifestantes. Segundo ele, ações como esta são “inaceitáveis”.

"Episódios como o de hoje são inaceitáveis e serão combatidos à luz da lei, em defesa da garantia de integridade de cada uma das instituições de Estado", afirmou em pronunciamento lido pelo porta-voz da Presidência, Alexande Parola.

Cerca de 50 manifestantes invadiram durante a tarde o plenário da Câmara dos Deputados defendendo o fim da corrupção, dos supersalários e intervenção militar no País. Houve tumulto, a sessão foi suspensa e o local fechado. "Em uma democracia, o valor a ser preservado é o do respeito à livre expressão e da busca de apoio pelo convencimento e pela argumentação", disse Temer.

A invasão do plenário da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira, deixou o governo em estado de alerta e apreensivo com os desdobramentos do episódio. Desde o feriado, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) foi informado de que manifestantes de grupos favoráveis à intervenção militar prometiam fazer arruaça em Brasília. Por precaução, a pista de ligação entre os palácios do Jaburu, residência atual do presidente Michel Temer, e do Alvorada foi fechada.

O acesso só foi liberado para receber os convidados de Temer para um jantar com senadores da base aliada, também nesta quarta-feira, no Alvorada. Mesmo assim, uma das pistas ficou bloqueada porque, na avenida presidencial, estudantes protestavam contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos públicos e a reforma do ensino médio.

O presidente também mostrou preocupação com o aumento dos protestos de servidores contra o pacote de ajuste proposto pelo governo do Rio, que terminaram em confronto com a Polícia Militar, diante da Assembleia Legislativa.

Embora no caso da invasão da Câmara o governo avalie que os atos foram organizados pela extrema direita, há no Palácio do Planalto o receio de que o clima de insatisfação acabe alimentando a volta de manifestações de rua contra Temer. Além disso, não se sabe como o mercado vai reagir à onda de protestos, que pode criar instabilidade no País no momento em que o governo tenta atrair investimentos.

Outro foco de inquietação no Planalto está nas universidades ocupadas. Grupos ameaçam tirar à força de lá os estudantes que são contra a reforma do ensino médio e a PEC do Teto. 

Para o líder do governo no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), a invasão do plenário da Câmara é o ápice de um processo que precisa ser detido. “Há universidades invadidas, há interrupção de ruas, avenidas e estradas e, agora, isso na Câmara. É um escárnio, um absurdo”, disse o senador. “Esse comportamento não se sustenta diante da ordem democrática.”

Jungmann. Na quinta-feira, 17,  o ministro da Defesa, Raul Jungmann, defendeu a "punição exemplar" dos manifestantes e afirmou que eles fizeram "o reverso do que representam hoje as Forças Armadas".

Segundo ele, a Polícia Federal está investigando os responsáveis pela invasão. "Se nós não punirmos estas pessoas exemplarmente nós estaremos sancionando o desrespeito à democracia, que é uma conquista do Estado brasileiro", disse.

O ministro ressaltou que "os militares se opõem a estes atos", pois "as Forças Armadas são um ativo da democracia, o baluarte da democracia" e "fator de estabilidade".

Além disso, acrescentou que esse tipo de invasão "é inaceitável". "Ninguém pense em arranhar, desrespeitar ou tentar destruir a democracia brasileira, porque dentro da lei e de acordo com a constituição, os militares se oporão a isso".

Jungmann também afirmou que "a partir do instante que o protesto se transforma em desrespeito, ameaça ou contestação à democracia, a coisa muda de figura". E explicou: "preocupação temos com qualquer fato que venha a perturbar a ordem". Para ele, o que tem acontecido, no entanto, são "fatos localizados".

As declarações do ministro foram dadas após cerimônia de assinatura de acordo de cooperação para criar um programa habitacional dentro do Minha Casa Minha Vida para praças das Forças Armadas.

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