'Impugnação de Doria é factóide', diz dirigente tucano

Silvio Torres, secretário-geral do PSDB, diz que iniciativa visa 'embaralhar visão da derrota'; Alberto Goldman diz que 'dirigentes públicos' usaram a estrutura do governo paulista para pedir votos

Pedro Venceslau e Ana Fernandes, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2016 | 23h24

Secretário-geral do diretório nacional do PSDB, o deputado federal Silvio Torres classifica como "factóide" o pedido de impugnação da pré-candidatura do empresário João Doria nas prévias do PSDB que definirão o nome da sigla na eleição à Prefeitura de São Paulo. A petição foi assinada pelo ex-governador tucano Alberto Goldman, vice-presidente nacional do PSDB, e pelo presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal.

Doria, que é apoiado pelo governador Geraldo Alckmin, disputa o segundo turno da eleição interna contra o vereador Andrea Matarazzo, que é apoiado por José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Goldman e Aloysio Nunes Ferreria. "Esse pedido de impugnação é um factóide e não vai prosperar. Fizeram isso para embaralhar a visão de um derrota que não era prevista", afirma o deputado.

A petição alega que Doria cometeu abuso de poder econômico, propaganda irregular, transporte de eleitores no dia da votação e infrações da lei da Cidade Limpa. O documento traz imagens de vans supostamente levando militantes do partido aos pontos de votação.

Segundo Silvio Torres, que integra o grupo político de Alckmin, as prévias estão sendo realizadas "de verdade" pela primeira vez no partido. Em 2o12, o hoje senador José Serra entrou de última hora na eleição interna e venceu Aníbal e Ricardo Tripoli nas prévias.

O PSDB municipal anunciará hoje o rito de julgamento do pedido de impugnação e o nome do relator do processo. O empresário terá 10 dias para apresentar sua defesa. Depois dissso, o relatório terá 3 dias para escrever um relatório final e submetê-lo a voto no diretório municipal, que é composto por 75 membros. "Não pode haver segundo turno enquanto essa decisão não for tomada. Se o pedido for acolhido, quem disputa com Andrea Matarazzo é o Ricardo Tripoli", afirma Goldman.

Ele defende que o segundo turno da disputa, marcado para o dia 20, seja adiado se a petição não tiver sido votada até lá. Sem citar nomes, o ex-governador acusa "escalões dirigentes do estado" de usar a máquina pública para fazer campanha em favor de Doria.

"Alguns dirigentes públicos usaram sua posição e estrutura para angariar votos", afirma. Questionado sobre um eventual apoio  a Doria caso ele vença as prévias e seja o candidato do PSDB, Goldman deixa claro que não subirá em seu palanque. "Eu vou fazer campanha se entender que é um candidato legítimo".                  

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