'Imprensa leva culpa mesmo sem tê-la', diz Bucci

Em artigo publicado em revista da USP, professor fala sobre o tema e lista os furos do 'Estado'

Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo,

20 de dezembro de 2009 | 23h25

A censura imposta ao Estadão, há 143 dias, é tema de um dos artigos da edição número 67 da revista Estudos Avançados, que acaba de ser lançada. Assinado pelo professor Eugênio Bucci, da Escola de Comunicação e Artes, da Universidade de São Paulo (USP), com o título Quando só a imprensa leva a culpa (mesmo sem tê-la), o artigo analisa detidamente os fatos que culminaram com censura. Conclui, entre outras coisas, que ela foi o "prêmio" dado ao jornal por seus esforços para garantir notícias exclusivas e de interesse dos cidadãos na cobertura dos escândalos do Congresso – que começaram a eclodir ainda no primeiro semestre.

 

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"Assim foi que, pelo reconhecido padrão de excelência jornalística, conseguindo uma sequência de notícias exclusivas e de grande impacto sobre o escândalo do Senado, o Estadão se viu premiado com a censura judicial", escreve Bucci, após listar os furos de reportagem obtidos pelo jornal. Para ele, trata-se de "algo de inacreditável numa democracia" e que, por isso mesmo, "deve ser mais estudado do que foi, mais debatido, mais conhecido – exatamente para evitar que os ataques por ele sofridos não prosperem mais do que já prosperaram".

 

A revista é uma publicação quadrimestral do Instituto de Estudos Avançados da USP. A cada número traz um ou mais dossiês sobre temas de interesse da sociedade brasileira, com a participação de estudiosos convidados e de pessoas diretamente envolvidas com essas questões, segundo explicações do editor assistente Dario Borelli. Para o número 67, cujo tema principal é a crise no Congresso, foram convidados cientistas políticos, juristas e também integrantes do Congresso.

 

O artigo de Bucci, doutorado em comunicação e integrante do quadro de pesquisadores do instituto, se estende por 16 páginas. Um de seus eixos é a ideia, confirmada seguidamente pelos fatos, de que o poder não gosta da imprensa, padecendo da síndrome de atribuir a culpa por todos problemas. Cita como exemplo uma declaração feita pelo presidente do Senado, José Sarney, em 15 de setembro, em meio a um sequencia de denúncias envolvendo seus familiares, políticos e funcionários do Congresso. Ele disse: "A mídia passou a ser uma inimiga das instituições representativas".

 

Mais adiante ele disseca e contesta as crenças com as quais se procura justificar o cerceamento da imprensa. Uma delas é de que assuntos que correm em sigilo de Justiça não podem ser noticiados. "Jornalistas não são responsáveis por acobertar segredos dos poderes da República", afirma o estudioso. "Ao contrário. Por mais chocante que isso possa parecer aos ouvidos de agentes políticos brasileiros, jornalistas são responsáveis precisamente por descobrir e publicar esses segredos."

 

Na opinião de Bucci o que ocorreu com o Estadão só tem um nome: censura prévia. Seu artigo pode ser lido na versão impressa da revista, vendida em livrarias, ou diretamente no site, cujo endereço aparece abaixo.

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