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Imprensa estrangeira 'alerta' mundo sobre impeachment no Brasil

Jornal francês 'Le Monde' diz que o Brasil deu salto 'no desconhecido' com a abertura do processo contra Dilma no Senado

Andrei Netto, correspondente/Paris, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 07h49

PARIS - A imprensa da Europa, da Ásia e dos Estados Unidos informou o afastamento da presidente Dilma Rousseff por meio de alertas de "urgente" distribuídos a seus leitores. Para o jornal francês Le Monde, o Brasil deu salto "no desconhecido" com a abertura do processo de impeachment no Senado, aprovada no início da manhã desta quinta-feira, 12, em Brasília.

"Após uma longa noite de deliberações, o Senado chegou, na noite de quarta para quinta-feira, à maioria dos votos necessários para a admissão do processo de impeachment (destituição). A presidente deverá deixar o Planalto, sede da presidência, ladeada por seu mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente entre 2003 e 2010", informou o jornal francês. "O resultado do voto no Senado a obriga a entregar o poder a seu vice-presidente, Michel Temer."

Para o diário parisiense, "uma atmosfera de melancolia" reinava no plenário. "Os senadores se expressaram um mês após o voto mordaz dos deputados. Ao tumulto de seus colegas da câmara baixa, eles responderam com solenidade", avaliou Le Monde.

Em Londres, o jornal The Guardian acompanhou em tempo real a decisão no Senado. O jornal acompanhou os discursos e destacou as principais frases da madrugada. Sobre a defesa de Dilma Rousseff, publicou a frase do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que advertiu em seu discurso que o Brasil se tornaria "a maior república de bananas do planeta" caso o impeachment fosse aceito. "As acusações contra Dilma Rousseff serão agora investigadas em comitê. O vice-presidente Michel Temer assume o poder durante este período", explicou o jornal britânico.

O El País, de Madri, classificou a sessão plenária como "histórica e extenuante", e lembrou que por "uma maioria simples de senadores brasileiros (55 de 81)" o Senado "deu luz verde ao processo de destituição". "A dirigente do Partido dos Trabalhadores sairá hoje mesmo pela porta principal do Palácio do Planalto, sede presidencial, em um gesto explícito que quer dizer que acata, mas não aprova a decisão", interpreta o jornal.

Em Roma o jornal La Repubblica destacou a admissão do processo de impeachment de Dilma Rousseff, afirmou que o Brasil, "em caso de destituição", não vai para eleições antecipadas", e que Michel Temer "completará o mandato presidencial até 1º de janeiro de 2019".

O diário lembrou logo a seguir o suposto envolvimento do senador Aécio Neves, do PSDB, em escândalos de corrupção. "A situação é complicada também para o líder da oposição, Aécio Neves: o Supremo Tribunal Federal autorizou a investigação por corrupção contra o líder do PSDB, partido de centro-direita e um dos principais apoiadores do impeachment", afirma. 

Destaque nos EUA. Nos Estados Unidos, o jornal The New York Times publicou como chamada principal de seu site na manhã desta quinta-feira o resultado na votação no Brasil e afirmou que, mesmo que a presidente Dilma mantivesse o cargo, não conseguiria governar sem apoio na Câmara e no Senado.

A aprovação da admissibilidade do impeachment de Dilma no Senado também foi a chamada principal do portal do Washington Post. O jornal afirmou que, a menos de três meses da abertura dos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, o País "está enfrentando sua mais grave crise econômica desde os anos 1930 e um enorme escândalo de corrupção, que manchou quase todos os líderes políticos".

Já o jornal The Wall Street Journal, que também colocou o resultado da votação no Senado como chamada principal de seu site, lembrou que Dilma foi a segunda presidente a sofrer o processo desde a redemocratização do Brasil, em 1985. 

A reportagem do Los Angeles Times disse que a presidente "não foi pessoalmente acusada de corrupção" e que entregará "as rédeas para homens que estão sendo acusados". O jornal ainda lembrou a luta de Dilma no exterior - sem sucesso - para denunciar o processo o qual ela chamava de "golpe".

Ásia. A aprovação da abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff é notícia também na imprensa da China e do Japão.

A agência de notícias estatal chinesa Xinhua destaca que, com a decisão do Senado, a presidente será afastada do cargo e deverá ser julgada em até 180, sendo necessária maioria de dois terços para que ela seja removida do cargo. "Analistas dizem que pode não ser difícil para a oposição conseguir os dois terços", afirma a agência.

Já a rede de televisão japonesa NHK colocou no ar e divulgou em seu site a notícia de suspensão de Dilma, após a aprovação no Senado do processo de impedimento, diante das acusações de envolvimento na "manipulação das contas do governo".

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