Imprensa destaca papel de Lula nas discordâncias da Terceira Via

A imprensa britânica destacou hoje o papel que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve nas discordâncias que marcaram o encerramento conferência da Governança Progressista, ou da Terceira Via, encerrada ontem. O jornal Financial Times, em sua coluna Observer, publica um nota intitulada ?Lula desliga a Terceira Via?. Segundo o diário financeiro, ninguém esperava que seria fácil reunir um diferenciado grupo de líderes de esquerda em torno da Terceira Via. Mesmo assim, houve uma certa disciplina até o domingo quando Lula, ?que navegou ceticamente pela Terceira Via durante os três dias, decidiu aquecer o ambiente? ao tecer algumas críticas aos Estados Unidos, que foram rebatidas pelo presidente da Polônia, Alexander Kwasnieski, ?o melhor novo amigo do governo norte-americano?. Blair também alertou sobre os perigos para a esquerda do ?anti-americanismo?. Para o jornal The Times, a conferência da ?Governança Progressista? terminou como começou: com alguma confusão?. Segundo o diário, a grande conquista do evento foi reunir tantos líderes mundiais de centro-esquerda. Na entrevista coletiva para a imprensa, que marcou o encerramento do encontro, os líderes ?pareciam concordar apenas num ponto: que estavam prontos para voltar para casa?. O jornal The Guardian ressaltou que a conferência organizada por Tony Blair terminou em discordância quando os chefes de governo alteram planos para conceder à comunidade internacional direitos mais amplos para intervir em países em crise para proteger seus cidadãos de catástrofes. ?Refletindo as contínuas divisões sobre a intervenção anglo-americana no Iraque, os 13 líderes de centro-esquerda de cinco continentes refizeram um comunicado final para sublinhar que tal intervenção internacional teria que ser endossada previamente pelas Nações Unidas?, disse o diário. A mudança no texto foi resultado da pressão do Brasil, Alemanha, Argentina e Chile. O jornal Daily Telegraph afirmou que os esforços de Blair para lançar uma ?nova ordem mundial, na qual os países desenvolvidos tomariam iniciativas armadas para remover regimes brutais ou fracassados, foram bloqueadas por outros líderes de centro-esquerda?. Segundo o diário, o Brasil e a Argentina foram os países que lideraram os protestos daqueles que acreditavam que a posição britânica sobre o Iraque teria alterado os acordos sobre soberania internacional.

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