Eraldo Peres|AP Photo
Eraldo Peres|AP Photo

Imprensa da América Latina dá destaque à 'maratona' da votação de impeachment no Senado

Reportagens descrevem como foi a sessão, que se estendeu por mais de 20 horas, e apontam os próximos passos do processo

O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 08h20

SÃO PAULO - A imprensa da América Latina dá amplo destaque para a decisão do Senado de abrir processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, colocando o assunto na manchete de seus sites. As reportagens descrevem como foi a "maratona" da votação, que se estendeu por mais de 20 horas, e apontam os próximos passos do processo. Também informam que há a expectativa de que Dilma faça um pronunciamento por volta das 10 horas da manhã.

O argentino Clarín ressalta que Dilma foi acusada de ter descumprido normas fiscais na administração do orçamento federal, mas que o processo de impedimento se transformou "em uma espécie de referendo para sua presidência", já que o Brasil enfrenta uma profunda crise econômica e passa por uma ampla investigação de corrupção na Petrobras.

Outro argentino, o La Nación, observa que o resultado da votação no Senado não foi uma surpresa para o PT, "já que a sorte da mandatária parecia estar dada", uma vez que as pesquisas feitas nas últimas semanas indicavam a aprovação da abertura do processo de impeachment.

O chileno Diário Financiero traz em sua capa uma foto de Dilma de costas, com as mão sobre a cabeça, sinalizando desconforto. Sob o título "Senado no Brasil aprovou o processo de destituição de Dilma Rousseff", o jornal classifica o resultado da votação no Senado como "uma dura derrota política da mandatária".

O colombiano El Espectador destaca que a possível destituição de Dilma colocaria fim não só ao mandato da "ex-guerrilheira esquerdista de 68 anos, que em 2011 assumiu como a primeira presente mulher do Brasil, mas marcaria o fim de mais de 13 anos de governo do esquerdista Partido dos Trabalhadores".

O uruguaio El Observador notou a hesitação do senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello, que também sofreu processo de impeachment, em definir seu voto. Também mereceu espaço a informação de que os pertences de Dilma foram retirados na tarde de ontem do Palácio do Planalto e direcionados à residência oficial, o Alvorada, onde ela deve aguardar o resultado de seu julgamento.

O venezuelano Telesur classificou o resultado da votação no Senado como um "golpe à democracia" e um "feito sem precedentes", já que a "mandatária é acusada sem provas". O site destaca uma foto de manifestantes segurando uma faixa onde se lê "golpe", com o logo da Rede Globo.

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