''''Impopular é não poder pagar a folha em dia. Isso eu já assumi''''

Yeda Crusius (PSDB): Governadora do Rio Grande do Sul[br]Governadora lamenta ajuste tardio, mas aposta que em quatro anos vai estar junto dos demais Estados, com superávit

Entrevista com

Brasília, O Estadao de S.Paulo

22 Outubro 2007 | 00h00

O A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), tem enfrentando inúmeras resistências na tentativa de sanear as finanças estaduais. São professores descontentes com o controle de salários, empresários preocupados com o aumento de impostos e representantes do Judiciário que não aceitam reduzir seu orçamento. De passagem por Brasília, a governadora falou com o Estado: O que explica que o Rio Grande do Sul seja o único Estado com déficit nominal em 2007? Porque ele é o último a fazer o ajuste. Nesse período do nosso governo, aumentamos o superávit primário em 167%. O nosso superávit primário está crescendo como em nenhum outro Estado. É um programa de ajuste tardio, mas acho que em quatro anos vamos estar juntos dos demais Estados que apresentam superávit nominal. Como garantir essa mudança? Atacando as questões estruturais. Temos superávit primário, mas depois dos pagamentos da parcela da dívida, que é a maior do País, acabamos com um déficit orçamentário gigantesco em relação à receita líquida, de 15%. Então temos de renegociar a dívida, formar o fundo dos aposentados e trabalhar para reduzir custos. O pacote de reestruturação das finanças do Rio Grande do Sul prevê medidas impopulares, como aumento de imposto. Como espera conseguir aprová-lo? Impopular é não poder pagar a folha em dia e demais contas. Essa impopularidade eu já assumi. Todos sabem que não pagamos porque não temos dinheiro. Só podemos consertar isso com um conjunto de medidas, como o aumenta das receitas por aumento de alíquotas, mas também por melhora na forma de arrecadar e gastar. Não adianta o Executivo fazer a sua parte, como fizemos com um corte histórico de 37% nos gastos de custeio. É preciso ter regras para os outros Poderes também, como fizemos agora enviando um projeto de lei de responsabilidade fiscal estadual. Mas o Judiciário gaúcho resiste em conter seus gastos. Respeito a autonomia do Judiciário, mas qual é a autonomia do Executivo? É cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, que diz: se não tem receita para tudo, o corte deve ser para todos. Isso é possível? Esse acordo não é incompleto só no Rio Grande do Sul, mas em todo o País. Vamos continuar fazendo pressão para que o governo regulamente o que é gasto de pessoal e limites de disciplina fiscal, senão cada Estado vai resolver por si e continuará dando nisso: fazem a sua parte e, quando chega no Judiciário, tem de fazer a parte dos outros também.

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