Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Impeachment ‘só vai piorar’ o País, afirma Renan Filho

Atualizado às 16h50

Entrevista com

Renan Filho (PMDB), governador de Alagoas

Isadora Peron, ENVIADA ESPECIAL / MACEIÓ

26 de julho de 2015 | 03h00

MACEIÓ - Herdeiro político do presidente do Senado, o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), afirma não acreditar que o pai, Renan Calheiros (PMDB-AL), vá romper com o governo. Segundo ele, Calheiros sempre "garantiu a governabilidade" e vai continuar neste caminho. Apesar dos relatos de dificuldade para ter acesso aos recursos federais e críticas à condução da política econômica, Renan Filho diz não ver motivos para um impeachment da presidente Dilma Rousseff. "Alguém acha que isso vai melhorar o País? Eu acho que só vai piorar", afirmou o governador ao Estado.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

O sr. acredita que o presidente do Senado pode tomar o mesmo caminho do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e romper com o governo?

Acho que não. Não foi o partido que fez aquilo e eu acho que, no PMDB, não tem outras pessoas com o mesmo posicionamento de Cunha. Não é o só senador Renan. É o senador Renan, os ministros do PMDB, o vice-presidente Michel Temer, outros senadores, outros deputados. O próprio Cunha disse que aquela decisão era uma decisão dele, pessoal. Ele usou inclusive essa palavra.

Mas o senador Renan tem se afastado cada vez mais do governo.

O senador Renan, historicamente, sempre garantiu a governabilidade do País. Ele sempre foi nessa direção. Eu não acredito que ele vá caminhar em outra linha, até porque o País não aguenta, neste momento, o jogo do quanto pior, melhor. Eu acho que ele vai fazer o necessário para que o País possa enfrentar a crise econômica, que, aliás, é o que ele tem feito. Tudo que tem chegado ao Senado, ele tem tentado dar velocidade. É lógico que, diante de um clima político tão duro, às vezes não se consegue fazer tudo.

Mas ele também fez muitas críticas ao pacote do ajuste fiscal. O que o sr. achou das medidas?

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que é um homem muito preparado, está trabalhando, está lutando. Mas o ajuste não pode ser o ajuste pelo ajuste, ele tem que construir caminhos para o Brasil. A sociedade tem que entender isso. Essa redução de popularidade da presidente é, em parte, consequência disso. As pessoas não sabem bem qual vai ser a saída da crise. A incerteza, a falta de previsibilidade, atrapalha ainda mais a economia.

Recentemente, o sr. e os demais governadores do Nordeste assinaram uma carta de apoio a Dilma. Não há motivos para o impeachment da presidente?

Politicamente, ninguém é a favor do impeachment. Não pode haver impeachment por baixa popularidade. Essa modalidade não existe. A presidente não tem ainda razão jurídica, objetiva, para impedimento. A carta foi nesse sentido. Todos nós concordamos com isso. O Brasil elegeu seus representantes. Tem que respeitar isso. Agora, por conta dos problemas, da baixa popularidade, da crise na economia, e até mesmo da Operação Lava Jato, querer impedir a presidente? Isso não é o caminho para o País. Alguém acha que isso vai melhorar o Brasil? Eu acho que só vai piorar.

Todos os Estados estão sofrendo muito com a crise econômica. Como está a relação de Alagoas com o governo federal? 

Os repasses do FPE (Fundo de Participação dos Estados) estão tendo um comportamento muito atípico. No ano, teve um pequeno crescimento, mas este mês teve uma queda muito forte. E se o próximo mês for como esse? A gente não sabe qual vai ser o comportamento da economia. Aqui, em Alagoas, ampliava-se entre 6% e 10% a arrecadação anualmente nos últimos dez anos. Mas o Brasil gerava empregos aos milhões. Este ano é diferente, vai gerar desemprego aos milhões. Qual vai ser o reflexo disso na economia? Ninguém sabe direito onde isso vai parar, mas eu acho que o governo federal está tentando buscar uma saída.

O sr. esperava mais apoio do governo?

O que se pode fazer? Não tem dinheiro. Tive notícias de que a Polícia Federal está sem combustível para os carros, o Incra ou outro órgão que tem sede na zona rural teve a energia cortada. Está muito duro. Muito duro mesmo. É um ano de aperto de cinto.


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