Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

‘Impeachment não pode ser tese’, diz FHC

Para o ex-presidente, quem deve dizer se há razão objetiva para impeachment é a Justiça e a polícia e não os partidos

Elizabeth Lopes e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

19 Abril 2015 | 12h12

Atualizada às 22h05

COMANDATUBA - No momento em que os partidos de oposição ao governo se uniram no Congresso para avançar juntos no movimento pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) criticou neste domingo, 19, a iniciativa. “Impeachment não pode ser tese. Quem diz se houve uma razão objetiva é a Justiça e a polícia. Os partidos não podem se antecipar a tudo isso, não faz sentido. É precipitação”, afirmou.

A declaração foi feita no 14° Fórum de Comandatuba, maior evento empresarial do País, depois de um debate com ex-presidentes da América Latina. O PSDB deve receber na quarta-feira uma série de pareceres de juristas que servirá de base para um eventual pedido de impedimento.

Questionado se a presidente pode ser responsabilizada pelas pedaladas fiscais, utilização de recursos de bancos públicos para inflar artificialmente os resultados fiscais e melhorar as contas da União, FHC também rechaçou a ideia. “É especulação dizer que Dilma pode ser responsabilizada pelas pedaladas”.

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O ex-presidente também comentou a declaração feita neste domingo no mesmo evento pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de que a manobra vem sendo praticada “nos últimos 12 ou 15 anos”, ou seja, nas gestões tucanas. “Eu não sei andar de bicicleta. Como vou dar uma pedalada? A Lei de Responsabilidade Fiscal é de 2001.”

Discordâncias. O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima, discordou do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Invocando o escritor Ariano Suassuna, que dizia que não se fala de amigos pelas costas, Cunha Lima falou que iria discordar do presidente de honra do seu partido, na ausência dele, que saiu antes do final dos debates. “Vou discordar do presidente FHC e, já que estamos na Bahia, apimentar o debate do impeachment.”

Segundo o senador, ao contrário do que disse FHC, Dilma incorreu em crimes de responsabilidade. E citou como exemplo os artigos 11 da lei de improbidade, 4 e 10 da lei que trata de crimes de responsabilidade. “Falo pela bancada que lidero no Senado, que o PSDB está fundamentando o pedido para o impeachment de Dilma.”

Cunha Lima discordou também do presidente da Câmara no quesito da pedalada fiscal. Para o tucano, o procedimento do governo Dilma foi no mandato anterior, mas pode contaminar a atual gestão. E lembrou que muitos prefeitos já foram afastados por atos do gênero realizados em mandatos anteriores. E frisou: “Não faltará coragem à oposição do Brasil para construir um País melhor”. 

Ironia. Fernando Henrique ironizou a decisão do Diretório Nacional do PT de proibir doações empresariais, como forma de coibir escândalos como o investigado pela Operação Lava Jato. “Depois da porta arrombada eles querem fechar a porta?” 

Na avaliação de FHC, é preciso primeiro que o PT explique se houve realmente abuso no uso desses recursos. E disse não saber se o seu partido, PSDB, também vai fazer essa limitação. Apesar da crítica ao PT, o ex- presidente tucano rechaçou a tese defendida por alguns setores e até políticos que o PT deveria acabar. 

“Eu sou contra porque o PT é um partido importante, contribuiu em muitos momentos da política brasileira”, destacou, dizendo que não se dá democracia extinguido partido político.

“O PT tem que coibir os abusos que ele próprio fez, a sociedade tem que ser contra esses abusos e corrupção, mas não se pode fechar o PT, não tem sentido”, declarou FHC.

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