Análise: Impeachment e caso de Cunha são pano de fundo de disputa na Câmara

A partir dos dois assuntos que movimentaram a atual legislatura que as forças estão se agrupando agora e o que explica as alianças heterogêneas

Caio Junqueira, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2016 | 05h00

A divisão nos aliados do presidente em exercício Michel Temer tem por base os posicionamentos distintos dos grupos políticos nos dois principais temas que a atual legislatura tratou: o impeachment de Dilma Rousseff e o destino do mandato do deputado afastado Eduardo Cunha. É a partir desses dois assuntos que as forças estão se agrupando agora e o que explica as alianças heterogêneas.

Para o Centrão, deve comandar a Casa quem liderou a queda de Dilma e permitiu a Temer assumir o governo. Por isso, para o grupo, o nome ideal é Rogério Rosso (PSD-DF), que foi presidente da comissão do impeachment. Liderados por Cunha e com papel decisivo no processo de afastamento da petista, o grupo considera inaceitável que a candidatura da chamada antiga oposição (PSDB, DEM, PPS e PSB), cujo nome mais forte é o de Rodrigo Maia (DEM-RJ), tenha como eixo apoiador forças contrárias ao impeachment, como o PT.

Ocorre que, para a antiga oposição, deve comandar a Câmara quem está liderando outra queda, a de Cunha, ainda que com o apoio de quem foi contrário ao impeachment. Muito embora este grupo tenha se servido de Cunha para desestabilizar o governo Dilma durante a maior parte de 2015, quando ficou evidente que a Operação Lava Jato avançaria sobre ele, houve um rompimento no fim do ano passado e já há algum tempo seus integrantes defendem a cassação do seu mandato. É justamente isso o que os une aos petistas, que pretendem ver Cunha cassado e seu grupo político derrotado na eleição de amanhã. Daí a inusitada aliança dos grupos que se confrontam desde 1994 na política nacional. Seus objetivos, nesta disputa, são os mesmos.

Outro fator decisivo é a busca do Planalto por uma base confiável até 2018, caso o afastamento de Dilma seja confirmado. Por saber que o Centrão costuma servir a quem está no poder, o governo deixou avançar negociações que permitam à antiga oposição chefiar a Câmara tanto neste mandato-tampão como no biênio 2017-2018. Mas este movimento pode ter consequências. Sob a liderança oculta de Cunha, o Centrão tem emitido sinais de que uma derrota amanhã deixará sequelas na base.

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