Impeachment de Dilma é 'impensável', afirma Temer

Vice-presidente diz que manifestações são legítimas, mas defende que dificuldades sejam superadas

SUZANA INHESTA, CORRESPONDENTE, O Estado de S. Paulo

13 de março de 2015 | 14h21

Belo Horizonte - O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), disse nesta sexta-feira, 13, que o impeachment da presidente Dilma Rousseff é "inviável" e "impensável". Segundo ele, as manifestações contrárias ao governo são legítimas, mas defendeu que as dificuldades sejam superadas com diálogo.

Neste domingo, 15, grupos articulam a realização de protestos contra o governo em todo o País. Nesta sexta, centrais sindicais e movimentos sociais promovem atos em diversas capitais em defesa da Petrobrás e dos direitos trabalhistas, mas sem fazer coro ao "Fora Dilma".

"As manifestações são legítimas. Não há coisa melhor para a democracia do que as manifestações. Mas nos termos pacíficos, que não agridam pessoas nem patrimônios", afirmou Temer, em rápida entrevista coletiva após participar de evento em Belo Horizonte. Questionado sobre o impeachment, Temer disse que se recusa a falar nesse assunto por ser alternativa "absolutamente inviável, impensável". "É uma quebra da institucionalidade que não é útil para o País. Se o País passa uma ou outra dificuldade você as supera", afirmou.

CPI da Petrobrás. Temer elogiou a participação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na CPI da Petrobrás nessa quinta-feira, 12. O deputado, um dos políticos investigados por suspeitas de envolvimento no esquema de desvios na estatal, compareceu voluntariamente na CPI, mas foi poupado pela maioria dos parlamentares, que fez da reunião uma sessão de desagravo a Cunha. "Ele foi muito bem. Apontou tudo certo juridicamente e foi muito competente. Ele pegou o tema de que foi acusado na Procuradoria-Geral da República (PGR) e tentou destruir os argumentos. Foi muito competente na sua fala", declarou.

Articulação política. Ao avaliar a atual relação entre o governo Dilma e o PMDB, que tem imposto derrotas ao Planalto no Congresso, Temer disse que há uma "tensão institucional" entre o Executivo e o Legislativo, mas não uma tensão entre a presidente e o Congresso. "Essa tensão precisa ser resolvida e está sendo feito, com o convencimento de ambos e diálogo", afirmou.

"Às vezes o Executivo faz uma proposta que não é a desejada pelo Congresso e neste momento é preciso fazer um ajustamento e aprovar as demandas". Nesse sentido, Temer disse que seu papel na articulação política entre os dois Poderes "facilitará muitíssimo" a acabar com essa tensão e aprovar medidas de ajuste fiscal no Congresso.

"Esses dias visitei o Congresso Nacional e declarei que o Executivo não governa sozinho, governa com o Congresso Nacional. Toda vez que o Executivo vai produzir um ato qualquer, tem que antes conversar com as lideranças do Congresso Nacional", disse. "Penso que isto já está sendo feito, particularmente agora com o escalonamento da correção da tabela do Imposto de Renda. Vamos seguir nessa trilha, ou seja, Congresso Nacional e Executivo governam juntos". Ele informou que se reunirá na semana que vem com líderes do Congresso. "Eu próprio devo fazer reuniões com colegas líderes e colaborarei muito nesse diálogo institucional", ressaltou.

Temer foi questionado também se o PMDB deveria ter mais cargos no governo. "Isso não está na pauta. Isso é uma decisão do regime presidencial, da presidente. Ela que decide", disse.

Sem Dilma. O vice-presidente compareceu no balanço dos trabalhos realizados pelos Tribunais de Justiça do Brasil na campanha "Justiça pela Paz em Casa", que mobilizou magistrados e servidores para o julgamento de ações relacionadas à violência doméstica. A apresentação fez parte do 102º Encontro do Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça, no Tribunal de Justiça de Minas Gerais e teve a participação da vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmen Lúcia. "Os tribunais de Justiça fizeram um bom trabalho nos casos de violência contra a mulher. Continuemos por esse caminho", disse o peemedebista.

Temer representou Dilma, que cancelou sua ida à Belo Horizonte na noite dessa terça. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) informou que a presidente mudou a agenda por causa do estado de saúde de sua mãe, Dilma Jane Coimbra, de 90 anos. Segundo a Secom, a mãe de Dilma "não está bem". Porém, nos bastidores, há informações que o receio de protestos motivou o cancelamento.

Não havia sinais de manifestação na avenida Afonso Pena, onde fica a entrada principal do Tribunal, antes do evento, que também contou com a participação do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), e do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB). Porém, quando as autoridades chegaram, havia seis idosos no canteiro central da avenida, com cartazes: "Arroz, feijão, saúde, educação" e "ladrão". Eles ficaram no local até as pessoas se retirarem. Temer foi embora pela porta secundária do tribunal.

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