Impasse reflete ambições eleitorais para 2010

De um lado estão os ministros Patrus e Dulci e, de outro, Fernando Pimentel, prefeito de BH

O Estadao de S.Paulo

31 de maio de 2008 | 00h00

A ruidosa briga que envolve a polêmica aliança entre o PT e o PSDB em Belo Horizonte reflete uma disputa entre grupos na seara petista. O confronto tem dois pólos com foco em 2010: o primeiro refere-se à eleição para o governo mineiro e o segundo, à sucessão presidencial. De um lado estão os ministros mineiros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) e, de outro, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.Com a intenção de ser candidato ao Palácio da Liberdade, em 2010, apoiado pelo governador Aécio Neves (PSDB), Pimentel fez suas tropas avançarem sobre a seção estadual do partido, controlada pelo grupo de Patrus e Dulci. Se sair fortalecido na eleição para a Prefeitura de Belo Horizonte, emplacando o sucessor com a bênção de Aécio, Pimentel ganha pontos na disputa com Patrus, que também é pré-candidato ao governo de Minas.A queda-de-braço, porém, ultrapassa as fronteiras de Minas. Além de amigo de Aécio, que está de olho no Planalto, mas pode acabar concorrendo ao Senado, Pimentel é aliado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a favorita de Lula, dentro do PT, para sucedê-lo. Patrus e Dulci, por sua vez, estão próximos do ministro da Justiça, Tarso Genro, e do assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.Para os petistas que se opõem a Pimentel, Dilma não tem perfil para ser herdeira de Lula. Tarso, por exemplo, já disse que o pretendente necessita ter "profundo vínculo partidário", atributo que não integra o currículo da chefe da Casa Civil. O grupo, por enquanto, aposta suas fichas na candidatura de Patrus, que seria embalada pelo Bolsa-Família, principal programa social do governo.O problema é que Lula prefere Dilma a Patrus na Presidência. Apesar das resistências à chefe da Casa Civil, petistas juram que ela já foi picada pela mosca azul e, se sair da fila em direção ao Planalto, pode disputar o governo do Rio Grande do Sul. Nesse caso, seria mais uma dor de cabeça para Tarso, que está de olho no Palácio Piratini.

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