Impasse entre Alckmin e Kassab imobiliza rivais

Em São Paulo, adversários do DEM e PSDB esperam definição para se posicionar, enquanto Aécio oferece ajuda à campanha do tucano

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

21 Outubro 2007 | 00h00

A um ano das eleições municipais paulistanas, o impasse entre as potenciais candidaturas do prefeito Gilberto Kassab (DEM), por um lado, e do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), por outro, paralisa a aliança de 13 anos que junta tucanos e o antigo PFL, e imobiliza os adversários, que aguardam uma definição na disputa para se posicionar. Há duas semanas Alckmin ganhou um inesperado presente: o governador Aécio Neves (PSDB), de Minas, prometeu-lhe total engajamento em sua candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2008. A preocupação em definir um rumo para a aliança juntou num jantar de exploração de hipóteses, na última terça-feira, o ex-presidente do DEM, ex-senador Jorge Bornhausen (SC), e Alckmin. Na sexta, Aécio, o senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, e o governador José Serra (PSDB) tiveram um encontro em São Paulo para discutir a CPMF e, no entremeio, conversar sobre a eleição municipal de 2008. Serra apóia a candidatura do atual prefeito, Gilberto Kassab, à reeleição, mas muitos tucanos questionam a inexperiência de Kassab em disputas eleitorais. Quem festeja o impasse e torce para que ele se prolongue é o PT, principal adversário de PSDB e DEM em São Paulo, que sonha em recuperar a prefeitura da maior cidade do País em 2008. "Kassab está tomando eleitores que seriam de Alckmin", comemora o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), um dos aliados da ex-prefeita Marta Suplicy, hoje ministra do Turismo, ao comentar a melhoria da avaliação do atual prefeito. Ele acha que, um ano antes, a divisão de tucanos e DEM antecipa um cenário de segundo turno na eleição paulistana. SEM BRIGAS "Não haverá dois candidatos", decreta solenemente o empresário Guilherme Afif, do DEM, ao garantir que haverá um acordo entre os dois partidos e só um deles concorrerá. "Farei tudo para manter a aliança", assegura José Henrique Reis Lobo, presidente do PSDB paulistano e secretário de Relações Institucionais do governo Serra. "Não sei ainda a fórmula para manter a aliança, mas não é um problema para agora", observa o deputado Mendes Thame, presidente do PSDB paulista. No mesmo tom, alguns tucanos vão mais longe e prevêem que pode até acontecer de os dois concorrerem, mas sem que isso seja produto de um rompimento entre eles. A idéia atende à preocupação tucana com a inexperiência de Kassab, que nunca enfrentou uma disputa majoritária e pode se perder nela; assim, se Alckmin estiver concorrendo também, carreia os votos da antiga aliança. Entre os tucanos, no entanto, a disputa de 2008 tem características de uma partida de xadrez que se prolongará até 2010. O dilema maior é de Alckmin. Sem muito espaço no governo Serra, seus seguidores o pressionam para sair candidato à prefeitura. Thame interpreta a voz do partido: "Se quiser, ele será o candidato." Os tucanos dizem que Serra - apesar de simpático a Kassab - não será obstáculo à candidatura, mas Alckmin terá de responder a muitas interrogações para tomar essa decisão. Se for candidato à prefeitura, terá a obrigação de ganhar. Se vencer, ainda assim não robustecerá tanto sua biografia, mas uma derrota levará a um ocaso prematuro de sua carreira política. Além da pressão dos seguidores, Alckmin tem recebido estímulos externos, como o de Aécio e do próprio PSDB paulista. Mais: o Diretório Estadual do PSDB recomendou que o partido tenha candidato próprio a prefeito em todos os municípios em que está organizado. Assim, não caberia abrir mão da "cabeça de chapa" justo no maior dos municípios, a capital paulista. Muita gente no PSDB defende a tese de que Alckmin seja "guardado" para 2010, para disputar o Palácio dos Bandeirantes, para o caso de Serra ser candidato à Presidência. O PSDB, que controla São Paulo desde 1994, teme não ter um candidato competitivo, se Serra voar mais alto. Ele vê dois cenários: por um lado, elegendo-se prefeito, Alckmin não poderá sair um ano depois para disputar o Estado, como fez Serra, com algum desgaste, em 2006; por outro, se Serra não for o candidato do PSDB à Presidência, obviamente concorrerá à reeleição. A Alckmin, então, restaria disputar o Senado. O DEM diz que Kassab depende somente de si: se continuar melhorando sua avaliação, como vem fazendo, se viabilizará como candidato competitivo. No PSDB todos acham que é cedo para definir candidatos. "Quem vai dar o primeiro sinal é o PT", diz Lobo, lembrando que, para ser candidata, Marta - a mais expressiva opção do PT - terá de se desincompatibilizar até 31 de março de 2008.

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