Imagino que o governo tenha projeto, mas não descobri qual é, diz FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje em conferência realizada no Instituto de Estudos Avançados da USP que é fundamental o Brasil ter um projeto nacional que reflita os anseios da sociedade. Ao falar desse tema, FHC aproveitou para dar mais uma estocada no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Imagino que o governo Lula também tenha um projeto nacional. Mas não consegui descobrir ainda qual é. Mas eu acho que tem e estou confiante nisso", afirmou. Ao falar da necessidade de o País ter um projeto nacional, FHC disse que durante sua gestão foi bastante criticado. "Diziam que meu governo não tinha projeto para o País. Então, tá bom. Será que ficamos oito anos chupando dedo?", questionou. O ex-presidente citou algumas de suas ações como forma de responder às críticas de seus adversários, tais como a abertura comercial, a modificação de algumas estruturas de governo e a criação de agências reguladoras, que no seu entender são peças fundamentais num processo de privatização. A conferência de FHC na USP teve como tema "Os desafios da ordem internacional". Além de abordar a posição brasileira no cenário internacional e tecer críticas ao governo Lula, FHC destacou também a necessidade de o Brasil analisar com profundidade o cenário internacional, porque apesar de ser um país de futuro, o cenário tem se transformado rapidamente, principalmente com a inserção de países emergentes como a China e a Índia.?BNDES tem pouca competência para conceder emprétimos?Fernando Henrique fez uma dura crítica à política adotada pelo BNDES: "Os empresários vivem reclamando que o BNDES tem hoje pouco dinheiro. O BNDES não tem pouco dinheiro, tem é pouca competência para conceder empréstimos. E ainda diz que vai ajudar a África", afirmou. Antes de criticar a política adotada pelo BNDES, o ex-presidente defendeu o fortalecimento e a reforma de algumas instituições, tais como o FMI e o Banco Mundial. Após a palestra, que durou cerca de uma hora e meia, Fernando Henrique deixou a USP sem falar com a imprensa.

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