''''Imaginava que o Supremo fosse respeitar reforma''''

Celso Limongi: presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo[br]'É ruim para a democracia' só permitir eleição de magistrados mais antigos no TJ,[br]diz desembargador

Entrevista com

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

16 de novembro de 2007 | 00h00

"É desalentadora, é ruim para a democracia", disse o desembargador Celso Limongi, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que obriga a corte paulista a eleger para cargos diretivos apenas os magistrados mais antigos. "Imaginava que o Supremo fosse respeitar o espírito da reforma do Judiciário, que nitidamente veio em busca da abertura e da democratização dos tribunais." Limongi preside o maior e mais importante tribunal estadual do País - o TJ consome orçamento de R$ 4,6 bilhões e aloja 360 desembargadores, além de 2 mil juízes no Estado. A eleição que vai escolher o sucessor de Limongi ocorre em dezembro. Ele pretendia que todos os 25 integrantes do Órgão Especial do TJ, colegiado de cúpula, pudessem concorrer. Mas só os mais antigos poderão - os que entraram no Órgão Especial via eleição não. Limongi afirma não querer a recondução porque a reputa "nociva para o tribunal e para a Presidência da República".O que o decepcionou?Devemos democratizar os tribunais. A abertura é aspiração antiga. O STF ficou com receio de eleições democráticas no TJ. Eu não tenho receio. A democracia se aperfeiçoa com o exercício da democracia. Em setembro baixei resolução abrindo caminho a todos do Órgão Especial, inclusive aqueles que lá chegaram pelo voto.Por que democracia na corte?Porque forma líderes, que vêm com novas idéias, com energia necessária para ousar modificar, para ousar criar e alterar aquilo que o tribunal sempre buscou manter de forma pétrea, aferrado a determinados conceitos e preconceitos. Os dirigentes de um tribunal devem refletir, meditar, ser permeáveis a novas experiências. Por que a liderança tem de ser exercida somente pelos mais antigos? Ela tem que estar ao alcance de quem é capaz.Sofreu resistências?Senti na própria carne a força da gerontocracia, a democracia dos mais antigos. Quando tomei posse convoquei as eleições para metade do Órgão Especial, uma primeira abertura. A reação foi acentuada. Recorreram ao Conselho Nacional de Justiça, mas o tiro saiu pela culatra. Foi uma realização porque permitiu o surgimento de outras lideranças, o que é indispensável para que o tribunal não fique petrificado. Quem é:Celso LimongiDesembargador, 66 anos, é presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo desde janeiro de 2006. Juiz há 38 anos, 19 como desembargador. Presidiu a Associação Paulista de Magistrados.

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