Imagens mostram delatores tranquilos durante depoimentos

Gravados em fevereiro, vídeos com relatos dos principais personagens da Lava Jato foram tornados públicos pelo Supremo

O Estado de S.Paulo

22 de março de 2015 | 02h05

Desde o início da Operação Lava Jato - investigação da Procuradoria da República e da Polícia Federal sobre corrupção e propinas na Petrobrás - o País se habituou a ler nas páginas dos jornais e revistas as revelações de dois personagens centrais da trama, o engenheiro Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da estatal) e o doleiro Alberto Youssef.

Na semana passada, um ano após a deflagração da operação, a perplexidade aumentou ainda mais a partir da divulgação dos vídeos com os depoimentos de Costa e Youssef, que, pela redução de pena, escolheram o atalho da delação premiada.

As imagens, que o Supremo Tribunal Federal tornou públicas, assim como todo o resto do processo da Lava Jato, revogado o sigilo dos autos, mostram os dois delatores aparentemente tranquilos demais para quem se meteu nesse intrincado capítulo da crônica policial - para os investigadores, conduta típica de quem já conta com a indulgência da Justiça, desde que, segundo os termos de cooperação, provem tudo o que fizeram e testemunharam.

Costa, desde que sua delação foi homologada pelo ministro Teori Zavascki, do STF, em outubro, aguarda em casa, onde cumpre prisão domiciliar, o veredicto da Justiça Federal no Paraná, base da Lava Jato. Youssef continua preso em Curitiba.

Os relatos gravados em áudio e vídeo são de fevereiro passado. Os dois delatores foram interrogados separadamente em uma sala da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba. À mesa para os depoentes, água e cafezinho. Essa parte das denúncias soma mais de 20 horas de gravação.

Eles praticamente reiteram o que já está nos autos, com um ou outro detalhe a mais que os investigadores queriam ouvir, a fim de fechar o cerco a 50 políticos, entre deputados, senadores, ex-parlamentares e até governadores que se teriam beneficiado de valores ilícitos das fraudes na estatal petrolífera.

Costa, de terno e gravata, e Youssef, de camiseta de manga curta, se mantêm com aparência serena. Respondem disciplinadamente às perguntas dos investigadores. No ambiente por vezes descontraído, Youssef até falou de uma das filhas. Um investigador perguntou. "Ela vai advogar?" O doleiro respondeu. "Na verdade, agora ela está na Defensoria Pública estagiando. Ela gosta muito dessa área de direitos humanos." / RICARDO BRANDT e FAUSTO MACEDO

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