Imagens de Arruda e assessores 'não falam por si só', diz Lula

Presidente diz que estrutura dos partidos é principal causa de corrupção no País e defende reforma 'urgente'

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

01 de dezembro de 2009 | 10h18

As imagens do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e de seus assessores recebendo propina não serviram para convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva da culpabilidade dos envolvidos. Falando à imprensa instantes antes de deixar Estoril, em Portugal, onde participou da Cúpula Íbero-Americana, ele disse que não cabe ao chefe de Estado se manifestar sobre investigações da Polícia Federal, mas advertiu que as imagens, na sua opinião, não provam nada.

 

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Ao ser questionado, o presidente afirmou não estar acompanhando a crise política no Distrito Federal, que, avalia, "está na esfera da Polícia Federal". "O presidente da República não dá palpite, espera a apuração para depois falar alguma coisa. Vamos aguardar." Instigado a comentar as imagens do escândalo de políticos escondendo dinheiro em roupas íntimas - uma cena também familiar ao PT e demais partidos da base aliada -, Lula saiu pela tangente: "A imagem não fala por si. O que fala por si é todo o processo de apuração e de investigação".

 

Lula também lavou as mãos ao afirmar que enviou ao Congresso Nacional em 2008 duas mini-reformas políticas, medida que, no seu entender, poderia evitar escândalos de corrupção como o do Distrito Federal. "Não é o poder Executivo que vota no Congresso Nacional. Nós já mandamos uma no ano passado, mandamos outra agora, com sete pontos importantes para serem votados", lembrou, destacando o financiamento público de campanha.

 

"Eu espero que o Congresso Nacional tenha maturidade para compreender que grande parte dos problemas que acontecem com dinheiro é a questão da estruturação partidária no Brasil", afirmou, conclamando: "Vamos mudar urgentemente e fazer uma reforma política. Ela é condição fundamental para que a gente tente evitar que problemas como este continuem ocorrendo no Brasil".

 

Para o presidente, caberá à Polícia Federal esclarecer as circunstâncias dos crimes e à Justiça se pronunciar sobre as responsabilidades. O chefe de Estado, entende, deve evitar juízos de valor. "O presidente da República não pode ficar dando palpites se é bom ou se é ruim. Vamos aguardar a apuração." A comitiva presidencial deixou Estoril e já ruma para Kiev, capital da Ucrânia, próxima etapa do giro europeu.

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