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Iludir é preciso

O PT comemora a recuperação de alguns pontos positivos para a presidente Dilma Rousseff nas pesquisas e atribui a boa nova à ofensiva de difamação contra a ex-senadora Marina Silva.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2014 | 02h02

Na avaliação do comando, depois de alguns desacertos a campanha acertou a mão. Por "acerto" entenda-se a seguinte narrativa da propaganda eleitoral petista: Marina é candidata dos banqueiros a quem pretende entregar o País caso seja eleita presidente, permitindo que aquela gente malvada leve à miséria o povo brasileiro.

Se ao uso de invencionices é atribuído o resultado das pesquisas que apontam o empate entre a presidente e a ex-senadora - representando o estancamento da queda de uma e a parada da subida de outra -, evidentemente o recurso será cada vez mais utilizado. Aliás, já está sendo.

A campanha do PT não está preocupada com a verdade dos fatos porque não está falando para os informados. Aposta na massa que não dispõe de dados nem discernimento suficientes para cotejar os fatos e conta uma história que parece fazer sentido.

Exatamente para esse público no horário eleitoral a presidente Dilma agora resolveu "explicar" didaticamente como, quando e porque seu governo deu combate sem trégua à corrupção, tema até então evitado na propaganda e só abordado em entrevistas mediante provocação.

Segundo ela, os escândalos dos últimos anos foram apenas uma "falsa impressão" de aumento da corrupção. Nessa nova versão esses casos viraram notícia só porque o governo assim decidiu.

Isso a despeito de nenhum deles ter sido descoberto por iniciativa oficial, todos terem sido em princípio desmentidos, vários dos personagens envolvidos demitidos depois reincorporados aos ministérios, investigações escancaradamente barradas e denúncias reiteradamente ignoradas.

Está claro, pois, que a campanha do PT achou um atalho mais fácil para travar o atual combate: no lugar de tentar convencer, prefere enganar o eleitor. Campo no qual se sente bastante à vontade.

Melhor de três. O senador Aécio Neves disse na entrevista ao Globo que se perder a eleição será um oposicionista. Como não se pode levar em conta a hipótese de uma composição com governo do PT, resta o subentendido de que se referia à recusa de adesão no caso de vitória de Marina Silva.

A declaração pode ser compreendida de diversas formas. A mais simplesinha, a admissão prévia de que está fora do páreo. Outra: como presidente do PSDB vai se empenhar para que o partido fique de fora de um hipotético governo do PSB.

Uma terceira seria o reconhecimento de que uma nova disputa presidencial precisaria ser precedida de uma posição atuante, com mais atenção à ligação com a sociedade e menos confiança nos resultados da política de bastidor.

Destaques. Enquanto as pesquisas não revelam grandes alterações no cenário da disputa presidencial, nas eleições estaduais os números trazem algumas novidades.

Em Pernambuco, a virada de Paulo Câmara (candidato de Eduardo Campos). Saiu de 13% para 39% passando à frente de Armando Monteiro, que liderava com 47% e agora tem 33%.

No Rio Grande do Sul, a candidata Ana Amélia se distancia no primeiro lugar do governador Tarso Genro, cumprindo até agora a tradição gaúcha de não reeleger governadores.

No Distrito Federal ocorre um paradoxo. José Roberto Arruda, ficha suja concorrendo a poder de recurso, está em primeiro lugar para o governo. Ao Senado, o candidato disparado é o deputado José Antonio Reguffe cujo capital é a ficha limpa: não usa cota de passagens, devolve salários extras, defende redução de verbas e gabinete e recusa auxílio moradia.

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