<i>IstoÉ</i> traz denúncias contra Jader sobre emissão de TDA

A revista IstoÉ que chega às bancas a partir de hoje traz como reportagem de capa uma nova denuncia contra o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), presidente do Congresso Nacional. Segundo a reportagem, "há menos de um mês, o advogado e subprocurador-geral da República aposentado Gildo Ferraz telefonou para um antigo cliente, o banqueiro e pecuarista Serafim Rodrigues de Moraes, para informar sobre um processo. A conversa foi gravada e seu conteúdo é explosivo. Revela a ligação do presidente do Congresso Nacional, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), com a venda de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) emitidos de forma fraudulenta". Diz ainda a reportagem: "O banqueiro e sua atual mulher, Vera Arantes Campos - uma ex-corretora da Bolsa de Valores de São Paulo -, contaram a Ferraz como desembolsaram no final de 1988 US$ 4 milhões na compra de TDAs para saldar débitos decorrentes da liquidação do Agrobanco, controlado por Serafim Moraes. Depois de algumas semanas de negociação, o casal marcou encontro com o empresário Vicente de Paula Pedrosa da Silva, em um hotel no centro de São Paulo, para fechar o negócio". No restaurante do hotel, a revista IstoÉ conta que Vera preencheu e assinou um cheque da agência central do Bamerindus em São Paulo, na rua XV de Novembro, para pagar os títulos a Vicente de Paula. Ela o seguiu até o saguão do hotel, onde diz ter avistado Jader. Chamou Serafim a tempo de ele também presenciar o encontro de Vicente com o então ministro da Previdência Social do governo José Sarney. "Quem recebeu o cheque foi o chefão, o próprio Jader", afirmou Serafim ao subprocurador Ferraz, como mostra a gravação que chegou a IstoÉ na manhã da última terça-feira pelas mãos de um agente da Polícia Federal. No olho do furacãoA revista IstoÉ diz ainda: "A história contada por Serafim e Vera coloca o presidente do Senado no olho do furacão que teve início com um decreto assinado pelo presidente José Sarney, a pedido do próprio Jader, na época ministro da Reforma Agrária. Trata-se da desapropriação da Fazenda Paraíso, uma propriedade em Viseu, no nordeste do Pará, que teria 58 mil hectares e pertenceria a Vicente de Paula. Por essas terras, no começo de novembro de 1988, ele recebeu do governo federal 55,2 mil TDAs, que valeriam hoje R$ 5,3 milhões. Quatro meses depois, o superintendente em Belém do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Paulo Titan, requereu o cancelamento da operação, o que causou o bloqueio dos TDAs". Prossegue a reportagem da IstoÉ: "A essa altura, os títulos entregues a Vicente de Paula já haviam sido vendidos ao banqueiro Serafim, que os utilizou para saldar dívidas do Agrobanco com o Portus, fundo de previdência privada dos portuários. "Fui pessoalmente entregar os títulos na sede do Portus, na Praça Mauá, no Rio de Janeiro. O Serafim é um dos raros casos de banqueiro em liquidação que quita todas as suas dívidas. Ele saldou 100% dos débitos, inclusive com juros e correção", diz o advogado Oswaldo Chade, que trabalhou no processo de liquidação do Agrobanco. Segundo a revista, juridicamente, ele pode até estar correto, mas o certo é que ao passar os TDAs comprados de Vicente de Paula para o Portus, o banqueiro Serafim jogou um mico no colo dos portuários, que hoje lutam na Justiça para se livrarem desse prejuízo. O advogado não descarta a possibilidade de parte desses mesmos títulos ter sido usada para o pagamento de outros débitos do Agrobanco. "Armação safada"Jader Barbalho negou envolvimento nas irregularidades apontadas pela reportagem da revista. Ao comentar a reportagem sobre títulos falsos que teria emitido no Pará, disse que "esta especulação em torno do meu nome nesse assunto é uma indignidade". Ele disse ainda sobre as declarações do banqueiro Serafim Moraes: "Isso é uma canalhice que não tem tamanho. Vou processá-lo. Eu nunca tive negócios com Vicente Pedrosa". O senador do PMDB do Pará disse que existem os Títulos da Dívida Agrária da Fazenda Paraíso, mas negou seu envolvimento. "Inclusive tramitou um processo, um inquérito a respeito dessa fazenda e nunca meu nome foi envolvido nisso". A reportagem da IstoÉ perguntou para Jader: Pelo que disseram na gravação, na época do encontro em São Paulo, o sr. já era ministro da Previdência? Jader respondeu: "Isso aí é uma canalhice. Inclusive, quando essa desapropriação foi realizada eu não era mais ministro da Reforma Agrária. Salvo engano da minha parte, esse assunto foi materializado na época do Leopoldo Bessone (substituto de Jader)". Perguntado se algum irmão dele, Jader, havia feito transações com o Título da Dívida Agrária, o presidente do Congresso respondeu: "Nunca ouvi falar nisso. É uma armação safada. A especulação de meu nome em relação a esse assunto é uma indignidade. Digo do fundo do meu coração: isso aí é, com licença da expressão, uma brutal sacanagem. Usam o nome de um homem público e inventam uma história dessa natureza. Não tem a menor consistência!"

Agencia Estado,

08 de junho de 2001 | 13h41

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.