Igrejas fazem vigília pela cassação do governador do ES

Lideradas pelo pastor luterano Norberto Berger, as igrejas cristãs decidiram entrar na luta pela cassação do governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira (sem partido). Elas começaram hoje uma vigília na porta da Assembléia Legislativa que só terminará quando houver a votação do afastamento."Temos de fazer pressão no Legislativo", disse o pastor Berger, presidente regional do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic, que representa as Igrejas Católica, Presbiteriana, Luterana, Ortodoxa, Anglicana e Metodista).O Conic reuniu-se hoje para traçar estratégias de como aumentar a pressão na Assembléia. O grupo havia manifestado-se, anteriormente, sobre a crise política do Estado, enviando uma carta à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Propina, exigindo a apuração dos fatos.Pastor Berger afirma que a igreja "não deve se meter em questões partidárias, mas tem de estar presente nos problemas políticos para que a justiça seja feita". "É claro que muitos políticos aqui não estão pensando em justiça nem em bem comum, mas apenas em seus próprios interesses." Sobre o impeachment do governador, o pastor disse que "parece que não há outra alternativa, mas quem tem de decidir é a Assembléia".Ferreira está envolvido em vários escândalos de corrupção, cobrança de propinas e troca de favores com empresários capixabas. A primeira-dama Maria Helena Ferreira e o cunhado dele, Gentil Ruy, ex-secretário de Governo, foram denunciados pelo Ministério Público (MP) à Justiça. Ruy está preso.Enquanto isso, o governador organiza a ofensiva para tentar barrar o processo de cassação, que deverá ser votado sexta-feira ou na segunda-feira. Ele conseguiu o apoio do PMDB regional, que orientou os cinco deputados a votarem contra a continuação do processo.O governador estaria usando todas as armas para conseguir apoio. Uma delas seria a nomeação de parentes de deputados. Na segunda-feira, o vice-presidente do Diretório Regional do PMDB, Hugo Borges, virou presidente da Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória. Borges é irmão do deputado Sérgio Borges (PMDB), que foi relator da CPI da Propina.

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