Igreja vai apoiar demarcação de terras indígenas

A Igreja vai reforçar a briga pela demarcação de terras indígenas e a aprovação do Estatuto do Índio, com a campanha da fraternidade deste ano cujo slogan é ?Por uma terra sem males?. O secretário-executivo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Raymundo Damasceno, disse, nesta quarta-feira, ao lançar a campanha, que a Constituição de 1988 previa a regularização das terras dos índios em cinco anos. No entanto, mais de 60% das terras continuam sem ser demarcadas. Temos uma dívida a resgatar com os índios?, defendeu. O secretário-executivo do Conselho Missionário Indiginista (CIMI), Egon Dionísio Heck, acusou o governo Fernando Henrique Cardoso de criar obstáculos às demarcações ao permitir que particulares contestassem áreas indígenas já identificadas. ?O governo Fernando Henrique em nada conseguiu ser melhor do que seus antecessores?, conclui Heck referindo-se à demarcação.Um trecho do texto-base da campanha da fraternidade cita que o decreto 1.775 assinado pelo presidente permite que as terras reservadas aos índios durante o governo Fernando Collor sejam reduzidas ou não demarcadas. Longe da proteção do Estado, os índios estão por iniciativa própria tentando ?retomar? suas terras. O documento da CNBB ressalta que a ?posse indígena depende da expulsão do invasor?, o que tem gerado muita violência.D. Damasceno explica que o objetivo da campanha é trabalhar com os não-índios, porque o País ignora a existência de mais de 500 mil índios que falam 135 línguas diferentes. Heck ainda atribui ao governo a paralisação da votação do Estatuto do Índio, no Congresso. Ele suspeita que o estatuto idealizado pelo governo irá favorecer grandes mineradores, que deverão ter permissão para entrar em terras indígenas.

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