Igreja destruída por incêndio será reconstruída em Goiás

A igreja Nossa Senhora do Rosário, matriz de Pirenópolis, a mais antiga de Goiás, inaugurada em 1728 e destruída por um incêndio em setembro do ano passado, vai ser recontruída. Um convênio para o financiamento da obra foi assinado nesta sexta-feira entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Petrobras e o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (cada um entra com R$ 1 milhão), Caixa Econômica Federal (R$ 500 mil) e o governo do Estado (R$ 3,1 milhões). O trabalho servirá de modelo para futuras restaurações de monumentos tombados.O incêndio consumiu quase tudo que havia no interior da igreja, cuja decoração artística era em pano e madeira. Sobraram apenas cinco das 20 imagens e os 14 quadros da Via Sacra, mas o Iphan, que havia restaurado a igreja entre 1996 e 1999, tinha farto material sobre ela. "Isso facilita o trabalho, mas vamos decidir como será a recuperação ao longo do trabalho", explicou o arquiteto Sílvio Cavancanti, coordenador técnico do Iphan em Pirenópolis."O teto da igreja, por exemplo, era pintado com afrescos. Vamos escolher entre refazê-lo, uma plotagem (painel fotográfico em tamanho natural) ou uma projeção de slides para substituí-la. Assim será com todos os elementos artísticos de seu interior." A obra começa em julho e vai durar três anos. Primeiro serão refeitas as paredes em taipa (um tipo de barro usada no século 18), as torres (cujos interiores, em madeira, foram queimados), a parede posterior, demolida porque corria o risco de cair, e o telhado, totalmente destruído."O mais urgente é restaurar a arquitetura externa e recompor a paisagem de Pirenópolis. Os especialistas que formamos na época da restauração cuidarão dessa parte", diz Cavalcanti, lembrando que a cidade recebe 5 mil turistas nos fins semana. "O canteiro de obra estará aberto ao público e teremos um site na internet, para os patrocinadores e profissionais do ramo acompanharem o trabalho."A matriz de Pirenópolis é a mais antiga da região Centro-Oeste e uma das mais ricas. O incêndio causou comoção porque destruiu não só sua decoração barroca, mas também cinco altares banhados em ouro, objetos litúrgicos em prata e dois anjos do fim do século 18, postados à entrada da nave principal. Na cidade, dizia-se que quando eles tocassem as trombetas que carregavam estariam anunciando o fim do mundo. Mas o fogo os consumiu antes que isso acontecesse.

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