Idosos levam desvantagem na alfabetização

No item educação da pesquisa ?Perfil dos idosos responsáveis pelos domicílios?, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em comparação com o total da população, os idosos estão em grande desvantagem. Enquanto o índice nacional de alfabetização é de 87,2%, somente entre os idosos cai para 64,8%. Há 5,1 milhões de idosos analfabetos, sendo que 3 milhões são chefes de família. Os números são ainda maiores para os chefes de família idosos considerados analfabetos funcionais, que têm menos de 3 anos de estudos: são 5,3 milhões ou 59,4% do total de idosos responsáveis por domicílios.Enquanto a média nacional da população adulta é de 5,7 anos de estudo, entre os idosos cai para apenas 3,4 anos. Apenas 4% dos idosos chefes de família têm curso superior. ?Embora se perceba um cenário melhorado da educação, a situação do idoso é preocupante e insatisfatória. Imagine um idoso que precisa usar um caixa eletrônico, um meio de transporte e não sabe ler ou escrever?, diz a pesquisadora Maria Dolores Kappel, especializada nos dados de educação.Outro fator de preocupação, ressalta ela, está no fato de muitos desses idosos com pouca ou nenhuma escolaridade terem sob sua responsabilidade jovens e crianças em idade escolar. ?O histórico familiar tem grande impacto na escolaridade dos filhos. Não só a escola, mas a família e o meio onde o jovem vive são fundamentais para uma boa condição educacional?, afirma Dolores.DisparidadeO acesso ao ensino fundamental restrito às classes sociais mais altas e particularmente aos homens, que prevaleceu até os anos 50, tem um reflexo direto na disparidade de instrução da população em geral e só dos idosos. Entre as mulheres da terceira idade, o nível de escolaridade é ainda menor, com 3,1 anos de estudos em média. O índice de analfabetismo entre as idosas chefes de família atinge 37,6%, enquanto entre os homens é de 31,2%.Mais uma vez, as desigualdades territoriais aparecem na comparação dos níveis de educação entre os idosos. Enquanto no Distrito Federal a média é de 6 anos de estudos, no Tocantins e no Maranhão, os responsáveis por domicílios de 60 anos ou mais estudaram em média por apenas um ano e meio. Há cidades como Barra D?Alcântara e Novo Santo Antônio, ambas no Piauí, onde a média de anos de estudos dos idosos é de apenas 0,2 ano.Já a melhor média nacional está em Niterói (RJ), com 8,2 anos de estudos em média para os idosos. O índice de analfabetos funcionais da terceira idade no Maranhão chega a 82,7%, enquanto no Rio de Janeiro o porcentual é de 38,1%.SaneamentoO IBGE investigou também as condições de moradia dos idosos que são referência em seus domicílios. A maioria (56,8%) tem acesso a condições adequadas de saneamento. Dos chefes de família idosos, 27,5% vivem em condições semi-adequadas, com acesso precário a esgoto, água ou coleta de lixo. O saneamento é inadequado em 15,6% dos domicílios chefiados por pessoas da terceira idade.

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