IDH muda, mas País mantém posição

Brasil tem leve melhora no índice que mede a qualidade de vida

Lisandra Paraguassú e Lígia Formenti, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

19 de dezembro de 2008 | 00h00

O Brasil manteve-se na 70ª posição no relatório preparado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (Pnud). Isso significa que continua a integrar a lista de nações que alcançam alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), acima de 0,800, e ostentam boas condições de renda, saúde e educação.Essa lista já não é mais tão seleta quanto nos anos 90, quando não reunia mais do que 35 países. Com a recente revisão da metodologia usada pelo Pnud, atualizando a contagem do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, a categoria mais alta do IDH inchou e chegou a 75. Nela figuram hoje Venezuela, Equador e Casaquistão, entre outros países com condições de vida que não podem ser consideradas das melhores.A mudança para o relatório deste ano atualizou os preços comparativos internacionais em mais de 146 países. Até o relatório do ano passado, os dados de poder de compra usados para efeito de comparação do PIB eram baseados em preços coletados em 1993. O estudo atualizou os preços para 2005, incluindo países que não participavam dessa análise, como a China. Com a mudança, o PIB de 70 países caiu e o de outros 60, subiu.Os países exportadores de petróleo foram os maiores beneficiados com a mudança de critérios, por causa do aumento do preço do produto nos últimos anos. De acordo com o relatório, o crescimento do PIB foi de 30% ou mais nos países do Golfo Pérsico, Angola, Nigéria e também Venezuela, que subiu 13 posições . O coordenador do relatório no Brasil, Flavio Comim, explica que a receita extra gerada pelo petróleo permitiu ao governo Chávez subsidiar preços de vários produtos, elevando o poder de compra da população.A revisão fez Argentina perder 8 pontos no ranking, passando para a 46ª posição. O Equador, por outro lado, subiu 17 pontos.De acordo com especialistas, as mudanças acabam ocultando problemas reais nos países. O problema já foi percebido pela ONU, que deve revisar os critérios para a apresentação do IDH de 2010, segundo o coordenador Comim.

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