IDH elevado não significa pouca desigualdade

O fato de um país ter um Índice de Desenvolvimento Humano elevado (IDH) e uma renda per capita alta não leva, necessariamente, ao fim da pobreza. É o que mostra uma comparação do IDH com o chamado Índice de Pobreza Humana (IPH), ambos criados pela ONU.Um exemplo é o caso dos Estados Unidos, sexto no ranking do IDH e com uma das rendas per capita mais elevadas do mundo, de US$ 34,1 mil. Apesar disso, tem a pior colocação no ranking da pobreza entre 17 países da Organização para Desenvolvimento e Cooperação Econômica (OCDE) selecionados - um indício de suas desigualdades sociais e econômicas.Quando se comparam as duas escalas (desenvolvimento humano e pobreza), observa-se uma diferença de 15,8 pontos entre elas. Isso significa que, embora os EUA sejam uma nação rica, a distribuição de riqueza é falha e insuficiente para erradicar a pobreza. Na Suécia, primeira no ranking da pobreza e segunda no de IDH, a distância entre qualidade de vida e pobreza é bem menor, 6,8 pontos, o que indica que existe menos desigualdade.No caso dos países em desenvolvimento, o raciocínio é um pouco diferente, pois a correlação entre pobreza e qualidade de vida é mais estreita. O Brasil é o 17º em um ranking de pobreza construído a partir de dados de 88 nações em desenvolvimento, atrás de países como Uruguai (campeão no ranking), Chile (3º), Colômbia (10º) e Paraguai (13º).Por causa das especificidades desses países, os indicadores usados são outros (probabilidade de se viver mais de 40 anos, analfabetismo, população sem acesso à água potável, crianças de até 5 anos abaixo do peso, população abaixo da linha de pobreza). O ranking dos desenvolvidos usa indicadores como as chances de viver mais de 60 anos, analfabetismo funcional, desemprego prolongado e população abaixo da linha de pobreza.Embora o Brasil não esteja entre os países mais pobres dentro de sua categoria, ele continua sendo um dos mais desiguais do mundo. Seu Índice de Gini, que mede a distribuição de renda, continua sendo um dos piores do Planeta: 60,7 em uma escala de 0 a 100. Considera-se que, quanto mais perto de 0, melhor a distribuição de renda. Foram usadas informações de 1998 para calcular o Índice de Gini.Apenas Serra Leoa (62,9) e a República Centro-Africana (61,3) têm classificação pior do que o Brasil. A desigualdade no País pode ser percebida pela distribuição do consumo ou da renda: enquanto os 10% mais pobres da população brasileira ficam com 0,7% da renda/consumo, os 10% mais ricos ficam com 48%. Os 20% mais ricos são responsáveis por 64,1% da renda/consumo.

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