Ideli diz a peemedebistas que haverá 'frustação'

MInistra recebe líderes do PMDB, que cobra 48 cargos, e diz que ajustes serão graduais, pois este é um governo de continuidade e não de rompimento'

Tânia Monteiro, Christiane Samarco e João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 17h31

Pressionada pelo apetite do PMDB, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, afirmou que haverá frustração dos partidos da base aliada nas nomeações pedidas para os cargos de segundo e terceiro escalões. Ideli recebeu ontem os líderes do PMDB, maior partido no Senado e segundo na Câmara, que estão cobrando 48 cargos, liberação de emendas parlamentares e maior participação nas decisões do governo.

 

Além dessas reivindicações, o PMDB levou à coordenadora política de Dilma Rousseff a preocupação quanto à escolha do líder do governo no Congresso. Na Câmara a bancada indicou o deputado Mendes Ribeiro Filho (RS); o Senado encaminhou o nome de Eduardo Braga (AM). Dilma deu mostras de que escolheria Braga. As duas alas chegaram a ter um breve desentendimento, porque a Câmara se sentiu desprestigiada.

 

Depois, voltaram a se unir, por saber que, coesas, têm mais condição de lutar por seus pleitos. Ideli esclareceu que nesta semana o líder não deverá ser escolhido.

 

Mas o PMDB da Câmara começa a se conformar com a possibilidade de perder o cargo no Congresso. Eduardo Braga hoje pertence a um grupo chamado "independente", com oito integrantes. A escolha dele carrearia para o governo os votos de Luiz Henrique (SC), Casildo Maldaner (SC), Pedro Simon (RS) e Ricardo Ferraço (ES). A presidente já comentou com senadores que não pode abrir mão desses votos. A bancada na Câmara será ser contemplada com algum outro cargo para compensar a perda do líder.

 

Foi a primeira reunião de Ideli com os líderes do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), no Senado, Renan Calheiros (AL), do governo no Senado, Romero Jucá (RR), e com o presidente interino do partido, senador Valdir Raupp (RO). Eles insistiram que o PMDB é governo, pois elegeu o vice-presidente Michel Temer, e quer colaborar com a administração de Dilma. Mas, para isso, é preciso que a presidente nomeie os indicados pelo partido.

 

Antes do encontro, Ideli disse que o governo não teria como atender a todos os pedidos. "Não tem como trocar tudo (todos os cargos), pois este é um governo de continuidade e não de rompimento. Os ajustes estão sendo debatidos e serão feitos aos poucos", explicou ela. O assunto, afirmou Ideli, está sendo discutido com os ministros das áreas respectivas.

 

A ministra disse que existe um volume de expectativa pelos cargos maior do que o número de postos disponíveis. "Nós não iremos atender a toda a expectativa. Os ajustes serão os absolutamente necessários. Não tem cabimento achar que haverá trocas significativas. Serão meramente ajustes", insistiu. Ela explicou que há pedidos de postos em diretorias de bancos, no sistema elétrico e na Petrobrás.

 

"Se as expectativas não forem atendidas, não podem ser questionadas, porque não temos uma ruptura de projeto e os partidos tinham clareza disso", afirmou a ministra.

 

(Atualizada às 22h50)

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