Ideli defende Renan no plenário, dizem parlamentares

A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), afirmou em seu discurso na sessão de julgamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que o Conselho de Ética não tem provas de que a empreiteira Mendes Júnior pagou despesas pessoais do senador. A senadora reafirmou que a bancada do PT está liberada para votar como quiser, mas, no discurso, defendeu o senador, segundo relatos feitos por parlamentares presentes na sessão secreta. "O grande erro do Renan foi apresentar documentos. E onde é que está a prova de que a Mendes Júnior pagou? O Conselho não investigou", disse Ideli, segundo anotou um dos parlamentares presentes.O senador Almeida Lima (PMDB-SE) defendeu Renan atacando a imprensa. Um dos três relatores no Conselho e o único dos três a pedir o arquivamento do processo contra Renan, Lima disse que a disputa não é entre o senador Renan e a instituição, mas entre o Senado e a mídia, classificada por ele no discurso de "abjeta, desqualificada, torpe e impudica". Ele disse que os senadores iriam decidir se a Casa iria se agachar perante a mídia. "Qual Senado queremos? Um Senado covarde, amedrontado, acocorado diante de uma imprensa nacional que quer nos substituir?", argumentou. "Logo, novos fatos vão ser inventados e o PSOL estará sempre aí a nos atacar", continuou, segundo anotações de parlamentares presentes na sessão. "Para o PSOL, o Senado é uma instituição burguesa que deve ser destruída por dentro", discursou Lima.O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) também defendeu Renan. Dornelles disse, segundo anotaram parlamentares, que não se trata de um eventual crime a ser julgado pelo Senado. "Está em julgamento um possível crime contra a ordem tributária que só poderá ser investigado em outro plano, do processo administrativo fiscal contra o contribuinte e não no Senado da República", argumentou. "Condenar por eventual crime contra a ordem tributária pode criar um precedente perigoso que pode atingir outros (senadores)", disse Dornelles. O senador disse que havia pressão popular, mas que a decisão dos senadores não poderia ser tomada por causa dessa pressão e que nenhum os parlamentares não estavam ali para ratificar as posições da imprensa.O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), relatou que o seu partido votaria a favor do parecer do Conselho de Ética. "O PSDB evoluiu na sua posição de absolver para abster, de abster para acompanhar os relatores do Conselho de Ética", disse. Mas lamentou: "É com muito pesar que entre a brilhante carreira do senador Renan e a instituição, o PSDB fica com ela, o Senado", disse.

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