Ideli defende ex-ministro do Planejamento após insinuações de Pagot

Diretor-geral do Dnit afirmou que sua ações receberam aval do Ministério do Planejamento, então sob o comando do petista Paulo Bernardo

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, da Agência Estado

11 de julho de 2011 | 17h33

BRASÍLIA - A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, saiu em defesa do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, nesta segunda-feira, 11, e tentou minimizar as preocupações dentro do governo com declarações do diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), Luiz Antônio Pagot.

 

O diretor-geral teve seu nome envolvido em denúncias de corrupção na pasta de Transportes e seu afastamento do cargo, inclusive, foi anunciado pelo governo. No entanto, Pagot entrou de férias antes que o afastamento fosse validade e segue, pelo menos formalmente, como chefe do DNIT. Ele vai comparecer na terça-feira, 12, ao Senado e na quarta-feira, 13, na Câmara para prestar esclarecimentos sobre as denúncias. Ele tem feito insinuações de que todas as obras tocadas pela estatal eram aprovadas antes pelo Planejamento, cujo titular era o ministro Paulo Bernardo.

 

"O Pagot cumpriu suas responsabilidades. De nossa parte não há nenhum tipo de preocupação", disse Ideli sobre o suposto "temor" do governo em relação aos depoimentos de Pagot. Na entrevista, Ideli disse que discordava da interpretação de que o PR, em especial o senador Blairo Maggi (MT), padrinho político de Pagot, esteja querendo "colocar a faca" no pescoço do governo.

 

Ideli defendeu o ministro Paulo Bernardo e comentou o fato de que setores do governo o enxergam como alvo de chantagem do PR. "O ministério do Planejamento define as diretrizes do orçamento e não entra nos detalhes de cada ministério na questão de execução de obras", explicou.

 

Embora a ministra diga que não há preocupação, segundo fontes o governo está considera uma incógnita o depoimento de Pagot na terça-feira no Senado. No caso, o governo sabe que Pagot vai contar com a complacência de Blairo Maggi, que não vai deixá-lo sem proteção. Já na Câmara, onde o depoimento está marcado para quarta-feira, o governo acredita que podem haver problemas, porque é menor o controle sobre os parlamentares.

 

Ideli evitou comentar se Pagot está definitivamente fora do governo ou voltará. "Até o final das férias, ninguém pode ser afastado ou mantido", lembrou.

 

Substituição. A ministra disse que a decisão da escolha de quem ocupará definitivamente a pasta de Transportes, sob a chefia interina de Paulo Sérgio Passos, é da presidente Dilma Rousseff, que não antecipou para sua equipe a decisão. Ideli relatou que, em encontro desta segunda-feira da coordenação política, Dilma comentou sobre as investigações sobre suspeita de irregularidade nos Transportes, pasta que era comandada pelo PR, e não adiantou o que foi levantado até agora.

 

Na reunião da coordenação política, realizada no Planalto, o ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, fez uma explanação sobre o cenário econômico internacional e as preocupações em relação às economias dos Estados Unidos e países europeus. Ideli relatou ainda que ela, no encontro, disse ser possível votar ainda nesta semana no Congresso a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

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