'Idéia de terceiro mandato é insensatez pura', diz Lula

Presidente volta a descartar nesta segunda-feira uma reeleição em 2010; políticos se posicionam sobre o tema

05 de novembro de 2007 | 17h13

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou de "insensatez pura" e "falta de sensibilidade política" a discussão de uma proposta de um terceiro mandato consecutivo para ele, defendida alguns parlamentares da base aliada ao governo. Em conversa com jornalistas, no Palácio do Planalto, nesta segunda-feira, 5,  o presidente informou que vai cobrar do PT a definição de uma posição sobre esse assunto. Por outro lado, a condenação do presidente à idéia de um terceiro mandato vinha sendo cobrada com insistência por líderes da oposição no Congresso.  Veja Também: Lula descarta 3o mandato e diz que prioridade é crescimento  'Discussão sobre 3º mandato não tem cabimento', diz Tarso  Aécio ironiza proposta de 3º mandato para Lula em 2010   "Acho que é insensato qualquer pessoa ficar discutindo um terceiro mandato", afirmou o presidente. "Neste momento, o Brasil não está precisando discutir 2010, 2014 ou 2020. O Brasil está precisando discutir o bom momento que está vivendo. E a gente deve cumprir o que a gente se comprometeu com o povo, o que está no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento da economia) e tudo aquilo que vai ser feito na educação e na tecnologia. Fora isso, é insensatez pura, falta de sensibilidade política (falar em terceiro mandato)." Lula entrou no tema de uma segunda reeleição ao responder a uma pergunta sobre as mudanças na Constituição da Venezuela, que permitem ao presidente da República a reeleição por um número indefinido de vezes. "Eu posso falar pelo Brasil. Eu penso que o Brasil não pode brincar com uma coisa chamada democracia. Nós demoramos muito, e muita gente sofreu para consolidá-la. Eu era contra a reeleição de um mandato, por que seria favorável a uma reeleição de outro mandato?", indagou Lula. Ele disse que não há sentido em se discutir um terceiro mandato e que tratar do assunto agora só interessa à oposição: "O governo está com menos de um ano de segundo mandato. Aprovamos todas as coisas que deveriam ser aprovadas. O Brasil está funcionando bem, a economia está funcionando bem, por que nós deveríamos arrumar sarna para nos coçar?" Lula disse ainda que pretende concluir seu mandato com muito tranqüilidade e completou: "E não vamos permitir que coisas atravessadas venham a atrapalhar o bom momento que o Brasil está vivendo." Políticos se posicionam Nesta segunda, o governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), disse  que a chance de prosperar um eventual terceiro mandato do presidente é zero. "O próprio presidente Lula não aceita conversar a esse respeito, isso está fora de qualquer padrão democrático e se houver qualquer movimento neste sentido, eu me insurgiria contra", destacou o governador da Bahia. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na quinta que a questão de um terceiro mandato para  Lula  é "prematura e extemporânea". Segundo ele, esse debate só prejudica o presidente, que está no início do seu segundo mandato e "fazendo um bom governo".  "Pelo que conheço do presidente, ele não comunga da idéia de um terceiro mandato", afirmou Mantega. "São iniciativas tomadas a sua revelia. Essa questão só o enfraquece e só o prejudica. Não é hora de falar de terceiro ou quarto mandato", acrescentou.   O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse  que não acredita na possibilidade de uma mudança constitucional que permita ao presidente  disputar um terceiro mandato. "O Brasil não é a Venezuela. Acho que temos instituições muito sólidas", afirmou Aécio em entrevista à Rádio Bandeirantes, de Zurique, na Suíça, onde participou da solenidade oficial de anúncio do País como sede da Copa do Mundo de 2014.   Texto atualizado às 17h30

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