Idéia de convocar PF ainda divide Planalto

Para Dilma, se polícia tiver de entrar no caso, deve investigar só ?vazamento?

Rui Nogueira e Cida Fontes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de abril de 2008 | 00h00

Quinze dias depois de prometer investigar a confecção de um dossiê e o vazamento dos dados coletados em um arquivo da Casa Civil com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira dama Ruth Cardoso, o governo continua sem convocar a Polícia Federal para investigar o caso.A convocação da PF foi discutida no fim de semana em conversas do ministro da Justiça, Tarso Genro, com assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ministra Dilma Rousseff quer que a PF, se for inevitável convocá-la, investigue apenas "o vazamento" - sem tratar da elaboração do material. Para discutir o assunto com o próprio presidente, o ministro Tarso Genro cancelou a viagem que faria hoje para Portugal, onde iria participar do 1º Fórum dos Ministros da Administração Interna dos Países da Comunidade de Língua Portuguesa. Oficialmente, o ministro da Justiça cancelou a viagem por causa da "situação crítica" envolvendo a reserva indígena Raposa Serra do Sol (RR), onde agricultores arrozeiros resistem à saída das terras oficialmente demarcadas.O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, também estava com o embarque marcado para Lisboa na noite de ontem, mas fez várias reuniões com a cúpula da PF, no sábado e domingo, para tratar do dossiê.O ministrou já admitiu publicamente que os federais poderão entrar na investigação caso a instituição seja "provocada". Especialistas avaliam que a Polícia Federal não precisa ser oficialmente acionada para abrir inquérito. A tendência é que os agentes federais entrem nas investigações, mas o comando da corporação não quer que o Planalto defina o campo de ação, o que daria ao trabalho a marca de uma "missão chapa-branca". Uma fonte da PF avaliou para o Estado que é "inevitável" uma investigação ampla. Segundo ele, é crime coletar dados sigilosos e é crime vazar esse tipo de informação. A ministra Dilma trata a coleta dos dados como uma "invasão" nos computadores da Casa Civil e prefere tratar isso como um problema interno e a ser investigado pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) - uma espécie de cartório certificador de registros de informática, que é ligado ao próprio ministério. ALTERNATIVASDiante dessas manobras, o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (PSB-ES), diz que há três saídas para a crise envolvendo o Palácio do Planalto: apresentar as contas do presidente Lula; explicar concretamente a montagem do dossiê ou encerrar a nova CPI exclusiva de senadores por ausência de depoentes.Casagrande não tem dúvidas de que o governo vai montar um esquema para barrar a convocação de autoridades, em especial da ministra Dilma, caso a CPI seja mesmo instalada.

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