WILTON JUNIOR / ESTADÃO
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‘Ideal seria reunir o centro e o campo progressista’, diz Marcelo Freixo

Deputado defende uma aproximação do PSOL com Lula e uma aliança ampla para se contrapor ao bolsonarismo no Rio

Entrevista com

Marcelo Freixo (PSOL-RJ), deputado

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2021 | 07h00

Escolhido líder da minoria na Câmara com o apoio do PT, que abriu mão da vaga em um gesto para as eleições de 2022, o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) quer aproximar seu partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Freixo, que é cotado para disputar o governo do Rio de Janeiro, também defendeu, em entrevista ao Estadão, uma frente ampla – que pode incluir até uma aliança com o centro – para derrotar o bolsonarismo no Estado.

A escolha do sr. como líder da minoria na Câmara foi um gesto do PT para as eleições de 2022?

O PT foi de grande generosidade, mas a vez era do PSOL, que foi o único partido que não tinha ocupado a liderança da minoria ou da oposição. (Em 2022) Se formos capazes de montar uma aliança de centro-esquerda no Rio, topo colocar meu nome nesse projeto. 

Há uma aproximação com o PT? A candidatura do sr. ao governo do Rio está consolidada? 

Sempre tive muito diálogo com o PT. O projeto para o governo do Estado existe. Coloquei meu nome à disposição. Se eu for disputar o governo, terei de abrir mão de um mandato de deputado federal. Tenho uma situação delicada. Enfrentei as milícias no Rio e isso me trouxe uma situação particular. Se for para entrar na disputa, é para ganhar. Isso significa ter apoio do campo progressista e do centro. 

O que define como “centro”?

O PSB é fundamental e a relação é muito boa. O PCdoB tem conversado comigo. PT e PDT também. Mas precisamos de um palanque no Rio que reúna Ciro (Gomes) e Lula. É assim no Ceará. A eleição no Rio é para ganhar. Derrotar o Bolsonaro aqui, no berço dele, é a melhor contribuição que podemos dar para o próximo presidente. Acho importante ter apoio do Eduardo Paes e do Rodrigo Maia. O César Maia sempre votou em mim. O próprio Rodrigo diz isso.

O que achou desse manifesto em defesa da democracia que foi assinado por seis presidenciáveis, mas excluiu Lula?

Qualquer manifesto pela democracia nos dias de hoje é válido e bem-vindo. Mas quando escolhe quem vai ou não participar, ganha um perfil eleitoral, o que é válido também. 

Acredita que é possível sair um nome de consenso daquele grupo, que reúne Ciro Gomes (PDT), Eduardo Leite (PSDB), João Amoêdo (Novo), João Doria (PSDB), Luciano Huck e Luiz Henrique Mandetta (DEM)?

Quem lançou o manifesto pensa que dali pode sair um nome que tenha intenção de caracterizar uma terceira via. Quem ameaça a democracia hoje é Bolsonaro e sua turma. Lula readquiriu seus direitos eleitorais, é candidato e tem chance grande de chegar ao segundo turno. Não sabemos se há espaço para uma terceira via e se ela vai conseguir se viabilizar. Isso tem a ver com o desmoronamento do Bolsonaro, que hoje estaria no segundo turno. Mas não dá para prever o desgaste até as eleições. De qualquer forma, é legítimo que busquem uma terceira via e que venha em nome da democracia. Tirando Ciro, todos os outros que assinam o manifesto votaram no Bolsonaro em 2018. Se o compromisso deles hoje é com a democracia, acredito que não repetiriam o voto no atual presidente. 

Como avalia a presença do Ciro Gomes neste manifesto?

Tenho muito respeito pelo Ciro. É um dos quadros mais preparados na política. Tem um programa econômico muito avançado. Acho o Ciro um corpo estranho naquele grupo, mas entendo o movimento de alianças mais amplas que possam criar uma alternativa. Se pudesse escolher, gostaria de ver o Ciro conversando com o Lula. O Ciro está buscando uma alternativa fora do PT, mas aquele talvez não seja um caminho viável. Ainda aguardo uma aproximação do campo progressista como um todo. 

Essa aproximação do campo progressista como um todo seria em torno do Lula? 

Tem de ser em função de um programa. O Ciro tem um programa, o PT tem uma história. O ideal seria reunir o campo progressista e o centro. Não dá para dividir o País apenas entre bolsonaristas e petistas. 

O sr. vislumbra uma aproximação inédita entre PSOL e PT em 2022? Admite que o partido, pela primeira vez, não tenha candidato ao Planalto e apoie Lula? 

Sim. O próprio encontro nacional do PSOL e o documento tirado ali apontam nessa direção. Há uma leitura de realidade que aponta essa mudança. Tenho conversado muito com o (Guilherme) Boulos e a direção do PSOL. Hoje, há uma ampla maioria do partido querendo essa aliança. Eu defendo que onde o PSOL for disputar eleições para governo, que se faça essa aliança ampla, inclusive contando com o centro. 

Então o sr. defende que o PSOL apoie Lula em 2022?

Defendo que o PSOL esteja em uma aliança ampla de centro-esquerda pela democracia. E que o partido apoie o candidato que tenha mais visibilidade para derrotar Bolsonaro.

Partidos debatem crise em live nesta segunda-feira

Promovida pelo Estadão, a série de debates “Diálogos pelo Brasil” reúne, os presidentes do PSOL, Juliano Medeiros, do PSD, Gilberto Kassab, e do MDB, Baleia Rossi. Os três vão discutir a relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso, os impactos da pandemia e as perspectivas para as eleições em 2022.

O encontro ocorre no momento em que o chamado “centro político” busca um nome para quebrar a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto as legendas de esquerda se aproximam do petista.

No lançamento da série, semana passada, participaram os governadores Renato Casagrande (ES), Helder Barbalho (PA) e Wellington Dias (PI). A live será transmitida pelo portal do Estadão e nas redes sociais do jornal a partir das 14 horas.

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