Idade-limite para doar sangue sobe para 65 anos

A extensão da idade-limite para doação de sangue de 60 para 65 anos, estabelecida pela resolução número 343 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em vigor há pouco mais de um mês, já está dando resultados: o número de candidatos a doador nessa faixa etária aumentou no Hemo-Rio, que abastece os hospitais da rede pública do Estado.A chefe do atendimento ao doador do Hemo-Rio, Rosa Andrade, explica que, antes da resolução, os doadores se sentiam discriminados quando chegavam aos 60 anos. "Antigamente, perdíamos muitos doadores. Muita gente vinha aqui e reclamava, dizia que estava bem de saúde e, mesmo assim, era proibido doar sangue. Agora eles sentem valorizados", disse.Para chamar a atenção dos idosos, o Hemo-Rio vem fazendo uma campanha de divulgação da resolução. A entidade ainda não tem dados estatísticos do número de doadores mais velhos, mas Rosa garante que a procura vem aumentando a cada dia. E comemora: "Coletamos 300 bolsas de sangue por dia e temos capacidade para arrecadar o dobro." O número do Disque-Sangue do Hemo-Rio para mais informações é 21-2240-2494.O objetivo da resolução da Anvisa era justamente aumentar o número de possíveis doadores, permitindo que pessoas que passaram anos doando regularmente pudessem continuar a ajudar quem precisa de transfusão. As exigências são as mesmas para qualquer idade: o candidato deve passar por uma avaliação clínica, em que são medidas a pressão arterial, a freqüência cardíaca e a temperatura corporal, além de responder a um extenso questionário.A única diferença é que os mais velhos só podem doar duas vezes por ano, enquanto para os mais jovens são permitidas até três doações por ano, no caso das mulheres, e quatro, no dos homens.A gerente-geral de Sangue e Hemoderivados da Anvisa, Beatriz Macdowell Soares, explica que a extensão da idade máxima se deve à maior sobrevida do povo brasileiro."O mundo inteiro tem estendido a idade-limite. Com o avanço da medicina, a maior expectativa de vida do brasileiro e o tratamento de doenças crônicas, achamos que poderíamos fazer o mesmo. Daqui a alguns anos, se avaliarmos que não houve prejuízo para a saúde dos doadores, poderemos ampliar o limite até 70 anos", disse Beatriz, dizendo que 70 anos é a idade-limite em alguns países desenvolvidos.Especialista em transfusão de sangue, Carmem Nogueira, chefe do Serviço de Hemoterapia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, acha que, com a divulgação da nova idade-limite, o número de doadores no hospital deverá crescer. "As pessoas mais velhas têm mais disponibilidade de tempo", acredita.O banco de sangue do hospital, que abastece 580 leitos do hospital e do Instituto de Pediatria da UFRJ, recebe cerca de mil doações por mês. O telefone para mais informações sobre doações ao hospital é 21-2562-2305.O aumento de idade do doador tem de ser aplicado com critério, afirma a responsável pelo setor de sangue e hemoderivados da Anvisa, Beatriz Macdowell. Ela argumenta que a alteração levou em conta a melhora na qualidade de vida da população. Mas ainda há um número considerável de pessoas entre 60 e 65 anos impossibilitadas de fazer a doação, por problemas de saúde. "O médico tem de ter critérios precisos, para não prejudicar a saúde do doador."

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