Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Ida de Lula para governo Dilma deve ocasionar 'minirreforma' ministerial

Mudanças estão previstas para a Secretaria de Governo, que deve ser assumida pelo ex-presidente, na Secretaria de Comunicação, no Banco Central e no ministério da Educação

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2016 | 20h28

BRASÍLIA - De forma ainda “embrionária”, alguns integrantes da cúpula do governo já discutem nos bastidores a realização de uma “minirreforma” ministerial a ser realizada após a confirmação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos ministros da presidente Dilma Rousseff.

O ex-presidente desembarcou nesta terça-feira, 15, em Brasília, para conversar sobre seu futuro no governo com a petista. Lula passou a considerar a hipótese depois que a juíza Maria Priscilla Ernandes, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, decidiu, nessa segunda-feira, 14, transferir para o juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato na primeira instância, a decisão sobre o pedido de prisão preventiva contra ele, apresentado pelo Ministério Público de São Paulo no caso do tríplex no Guarujá.

Segundo o Estado apurou, as discussões sobre a dança das cadeiras, a ser realizada com a  confirmação do ingresso de Lula, foram comunicadas nas últimas horas a lideranças do governo no Congresso por assessores palacianos, mas ainda não passaram pelo aval da presidente Dilma.

Entre as mudanças esperadas está a substituição do ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, pelo ex-presidente. Berzoini poderá ocupar a cadeira de chefe-executivo da Pasta.

O destino dele, segundo integrantes da base ouvidos pelo Estado, também poderá ser a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, ocupada hoje por Edinho Silva. Silva foi ex-tesoureiro da campanha de Dilma de 2014 e segundo relatos, integrantes da cúpula do Palácio estão preocupados com o surgimento de novas citações contra ele oriundas da delação do empreiteiro José Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS. O empreiteiro foi condenado a dezesseis anos por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Tratado ainda como uma possibilidade apenas também poderá fazer parte da minirreforma ministerial a substituição do atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, por Henrique Meirelles, que chegou a ser cogitado para ocupar o ministério da Fazenda, no lugar do ex-ministro Joaquim Levy.

Uma possível substituição do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, também não está descartada. No acordo de delação premiada, homologado nessa segunda-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Delcídio Amaral (PT-MS) informou que o ex-chefe da Casa Civil do governo Dilma e atual ministro da Educação Aloizio Mercadante prometeu dinheiro e ajuda para que Delcídio deixasse a prisão e escapasse do processo de cassação de mandato no Senado. Em coletiva de imprensa, Mercadante enfatizou que sua conversa com o assessor do senador, José Eduardo Marzagão, teve caráter estritamente pessoal e não foi feita com o conhecimento da presidente Dilma. "A presidente não tem nenhuma responsabilidade. A responsabilidade é inteiramente minha", disse.

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