IBGE revela falta de leitos em 12 Estados

Doze Estados brasileiros têm número insuficiente de leitos hospitalares e abaixo do que é recomendado pelo Ministério da Saúde - menos de 2,5 leitos para cada mil pessoas - e em 36% dos municípios não há estabelecimentos de saúde que ofereçam internação para os doentes. É o que revela a pesquisa Assistência Médica-Sanitária, divulgada nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo mostra ainda grande desigualdade na oferta de serviços de saúde pelas regiões do País. Sudeste e Sul concentram hospitais, postos de saúde e equipamentos, como mamógrafos, raios X, enquanto Norte e Nordeste são os mais carentes. Dos 12 Estados com déficit de leitos, seis ficam no Norte (Amazonas, Pará, Amapá, Tocantins, Roraima e Rondônia), quatro no Nordeste (Ceará, Bahia, Sergipe e Alagoas), um no Sudeste (Espírito Santo) e um no Centro-Oeste (Distrito Federal). O Sudeste concentra quase a metade de todos os estabelecimentos de saúde e a maioria dos equipamentos. Em mamógrafos, por exemplo, essa região tem um índice de 1,84 para cada 100 mil habitantes, contra 0,59 no Norte. Queda - No total, o número de leitos no País caiu nos últimos dez anos. Em 1992, eles eram 544.357 e passaram para 471.171 em 2002, uma queda de 13,4%. A redução ocorreu no setor privado, que perdeu 85.348 leitos. Já o setor público ganhou mais lugares para internação - acréscimo de 10.876 leitos no mesmo período. Os únicos Estados com mais de três leitos para cada mil pessoas são Rio (3,4), Goiás (3,3), Paraíba (3,2), Mato Grosso do Sul (3,2), Rio Grande do Sul (3,2) e Paraná (3). No Brasil, a variação de leitos foi de 3,65 por mil habitantes em 1992 para 2,69 em 2002, uma redução de quase 25%. O ministro da Saúde, Barjas Negri, participou ontem do lançamento da pesquisa no Rio e creditou a queda de leitos ao crescimento dos atendimentos ambulatoriais. Segundo o ministro, a redução dos leitos está relacionada com a criação de serviços especiais que dispensam internação, como os hospitais-dia para os portadores do HIV e os serviços ambulatoriais para os doentes psiquiátricos. "O que estamos vendo é que, em algumas partes do País, há desativação de leitos, porque eles ficaram ociosos com a melhoria da atenção básica", afirmou Negri. Apesar da queda dos leitos, as internações não variaram muito nos últimos anos. Em 1992, elas somaram 19,1 milhões. Dez anos depois, atingiram 19,8 milhões. A participação do setor público nas internações cresceu nos últimos anos, passando de 23,27% em 1992 para 30% em 2002. Em relação ao número de internações por 100 mil habitantes, Centro-Oeste e Sul (14,37 e 13,47), apresentaram valores superiores à média nacional (11,6), enquanto Nordeste e Norte tiveram índices mais baixos, com 10,27 e 11,01. Os menores índices por Estados foram encontrados no Amazonas, com 7,39, Sergipe, 8,39, e Roraima, 8,85.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.