Ibama visitará novo garimpo descoberto no Amazonas

O "Eldorado do Juma", como está sendo chamado o garimpo descoberto há 20 dias no sul do Amazonas recebe neste fim de semana uma equipe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) com a intenção de fechar a área à exploração por possíveis danos ao meio ambiente. Segundo a assessoria da SDS, como o garimpo é supostamente clandestino, as cerca de três mil pessoas que já estão no local terão de ser retiradas. O garimpo fica a cerca de 80 quilômetros ao norte de Apuí, município a 453 quilômetros de Manaus, às margens do rio Juma, um afluente do Madeira. "Sem força policial, os técnicos vão ser tocados do local", considera o prefeito de Apuí, Antonio Roque Longo.A assessoria da SDS informou que a área do garimpo não é uma unidade de preservação ambiental, mas se for caracterizada agressão ao meio ambiente, como desmatamento, remoção do solo causando instabilidade, e a contaminação de igarapés ou rios, o garimpo será desativado. Não há como saber se houve algum pedido de legalização do garimpo ao órgão responsável, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) já que o diretor do órgão no Estado, Fernando Burgos, está de férias até o dia 25 deste mês e não há substituto em exercício. O prefeito, contudo, defende que o garimpo é ilegal. "Esse é mais visível, mas tem gente que se embrenha na mata porque sabe que a terra é rica". Humaitá e Manacapuru são os únicos municípios no Estado com autorização ambiental para a exploração de ouro.Não havia registros da presença de ouro na região agora explorada, às margens do rio Juma, de acordo com o Mapa Geológico do Amazonas, lançado em maio pelo DNPM e pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). No mapa, é demonstrado que o Estado tem ainda três das maiores reservas inexploradas do mundo de nióbio, caulim e silvita. Portal da cidadeNa internet, o Portal Apuí, assinado por Ivani Valentim da Silva, mostra relato do dia a dia dos garimpeiros e destaca que os exploradores vão de "empresários, a peões e vereadores". A reportagem enviou na última quinta-feira e-mail para o responsável pelo portal, mas ainda não obteve resposta.Ivani Silva afirma no texto que já há conflitos na região entre os garimpeiros que chegaram primeiro no local e os novatos. "Até poucos dias era permitida a exploração das terras já exploradas (atividade chamada no garimpo de reco), mas devido à atitude de alguns ´espertalhões´ que aproveitavam a oportunidade para roubar terras que ainda não haviam sido aproveitadas, esse tipo atividade foi proibida na grota".Ivani Silva afirma ainda que "a incidência do ouro é em média de 150 a 200 gramas por barranco. Apenas a principal grota dá uma média que varia de 400 gramas a 1 quilo em toda a sua extensão, sendo que próximo à nascente que fica no pé de uma montanha a abundância é quantificada por até 2,8 quilos em um barranco", destaca. "Foi nessa região que fui surpreendido ao passar inocentemente por cima de um monte de terra acumulado na superfície. O garimpeiro me obrigou a voltar e a lavar a sola do sapato para não desperdiçar o ouro supostamente contido nele", relata o responsável pelo site, que apresenta fotos do garimpo.

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