Ibama: não há indício de aumento do desmatamento

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Volney Zanardi, afirmou nesta sexta-feira que "não existem indícios" de aumento de desmatamento na Amazônia e negou que o órgão tenha "segurado" a divulgação de dados por motivos eleitorais. "Os dados de desmatamento são comunicados normalmente no final de novembro", disse Zanardi. "Repelimos a notícia de que estamos segurando informações".

RICARDO DELLA COLETTA, Estadão Conteúdo

07 de novembro de 2014 | 17h47

Hoje, o jornal Folha de S.Paulo publicou uma reportagem segundo a qual foram desmatados 1.626 quilômetros quadrados na Amazônia em agosto e setembro, o que representa aumento de 122% sobre o mesmo período de 2013. Os dados, ainda não tornados públicos, são do sistema Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), levantamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ainda segundo a reportagem, o número não foi divulgado durante as eleições para evitar danos à campanha da presidente Dilma Rousseff.

Zanardi e o presidente do Inpe, Leonel Fernando Perondi, argumentaram que o Deter é um monitoramento feito com imagens de baixa resolução que mapeiam polígonos com suspeita de desmatamento. Os mapas gerados pelo Deter, disseram, incluem áreas de possível desflorestamento que muitas vezes acabam não se confirmando, razão pela qual não são usadas para medir o real corte raso na região amazônica. "Esse número não serve como indicador da taxa anual de desmatamento da Amazônia", alegou Zanardi.

As imagens coletadas pelo Deter, de acordo com o Diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Menezes, podem incluir espelhos d''água e locais afetados por incêndios ou mesmo afloramentos rochosos, não estando necessariamente relacionadas à extração de madeira. O Deter, disse, é utilizado para orientar o trabalho de campo dos agentes do Ibama.

Nesta semana, o governo também foi acusado de não publicar durante o período eleitoral um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que revelou um aumento de 0,4 ponto porcentual no número de pessoas em situação de extrema miséria no País. O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Nery, disse que a decisão de não publicar os dados foi adotada pela direção do Ipea antes de o relatório ficar pronto e que o objetivo era não interferir no processo eleitoral.

Prodes

Zanardi e Perondi afirmaram que o sistema Prodes, também gerenciado pelo Inpe e que usa informações coletadas por um satélite de maior resolução, é o instrumento adequado para auferir o avanço do desmatamento na Amazônia Legal. O dado preliminar para 2014 deverá ser divulgado ainda em novembro.

O último levantamento do Prodes, no entanto, já revelou um crescimento dos índices de perda de vegetação na Amazônia. A taxa média de desmatamento que vai de julho de 2012 a agosto do ano passado foi de 5.891 quilômetros quadrados, frente 4.571 quilômetros quadrados no período anterior, revertendo uma curva de queda ininterrupta que vinha desde 2008. Segundo Zanardi, a expectativa do instituto é que o número que será anunciado neste mês seja igual ou menor ao de 2013.

Os dirigentes do Ibama e do Inpe também comunicaram hoje mudanças na metodologia de divulgação dos dados do sistema Deter. Os mapas georreferenciais, que indicam os pontos onde a fiscalização do Ibama tende a atuar, não serão mais divulgados. Segundo eles, a identificação desses mapas beneficia o crime organizado que atua no desmatamento das áreas e dificulta o trabalho dos fiscais do Ibama.

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