Ibama impõe ao governo 36 projetos de preservação

Programa de conservação da fauna e da flora, paralelo à obra do São Francisco, achou nova espécie de cobra

Ribamar Oliveira e Wilson Pedrosa, enviados especiais,

09 de agosto de 2008 | 22h44

Para executar as obras de transposição do Rio São Francisco, o governo federal está sendo obrigado a realizar 36 projetos e programas ambientais, por exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Um deles, o de conservação da fauna e da flora locais, já deu fruto inesperado ao descobrir uma nova espécie de cobra nas faixas de terras que foram desmatadas ao longo dos dois canais. Veja também:Entenda os argumentos contra e a favor da transposição Cronologia das greves do bispo d. Cappio contra as obras Enquete: A transposição do Rio São Francisco vai acabar com a seca no Nordeste?   Com apenas 25 centímetros de comprimento, a nova cobra brasileira ainda não tem nome nem identificação científica. "Ela foi encaminhada a um especialista, que vai estudá-la e depois publicar as análises", explicou o professor Luiz César Machado Pereira, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), responsável por esse programa. Entre professores e estudantes, Pereira conta com uma equipe de 22 pessoas para cuidar da fauna e uma equipe de 16 pessoas para cuidar da flora. Inventário O trabalho de Pereira e suas duas equipes é fazer o inventário das áreas afetadas pelas obras, o resgate de animais e plantas antes do desmatamento e, posteriormente, o monitoramento. Só no mês passado, o grupo capturou 350 animais, dos quais 310 foram soltos novamente. "Já encontramos várias espécies de pica-pau, pequenos marsupiais, muitos répteis, veados-catingueiros, grande quantidade de cachorros-do-mato, jaguatiricas, gatos-maracajás e até pumas. Entre as plantas, encontramos muitas bromélias, aroeiras, a coroa-de-frade, altamente ameaçada, e árvores com mais de 100 anos, como a imburana", relata Luiz Pereira. O professor da Univasf afirma que está aprendendo muito com o programa, mesmo porque, segundo ele, a caatinga é o bioma menos estudado do País. "Há pouca coisa publicada sobre a caatinga em nível científico", informa. "Nosso maior desafio é o de entender como trabalhar no processo de conservação desse bioma." Um dos objetivos desse programa é montar um banco de germoplasma, no qual será armazenada a variabilidade genética das espécies encontradas. Antes de qualquer desmatamento nas faixas de terra por onde passarão os canais ou serão construídos os reservatórios, a primeira equipe a ser acionada é a dos arqueólogos. Eles recolhem todos os indícios de antiga ocupação humana da área e de existência de fauna e flora pré-histórica. O material recolhido até agora foi encaminhado à Universidade Federal de Pernambuco e ao campus da Univasf na cidade de São Raimundo Nonato, no Piauí. Após a passagem dos arqueólogos pelas áreas, é a vez de serem acionadas as equipes do programa de conservação da flora e da fauna. Lotes A supressão da vegetação só é iniciada depois do inventário e do resgate de animais e plantas. O desmatamento é feito em três fases. O corte da vegetação é iniciado com foice e facão e concluído com motosserra. Toda a lenha, as estacas e os mourões são separados e empilhados, em lotes numerados. A vegetação com menos de 20 centímetros de altura é triturada. Depois do corte da vegetação, é feita a raspagem do solo, que é misturado à vegetação triturada para fazer o adubo que será usado na recuperação das áreas degradadas. A madeira recolhida nessas áreas será doada para as prefeituras das cidades próximas e para a unidade do Exército em Petrolina, em Pernambuco.

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