Humberto Costa defende cassação de Demóstenes

O senador Humberto Costa (PT-PE) defendeu há pouco, na tribuna do plenário, a cassação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) por "graves irregularidades" no desempenho do mandato. Num pronunciamento de 20 minutos, o relator do processo no Conselho de Ética da Casa disse que cumpre seu trabalho, com "sentimento de tristeza", sem ter se promovido como paladino da ética, uma das características da atuação de Demóstenes, agora acusado de usar o mandato na defesa dos interesses do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

RICARDO BRITO, Agência Estado

11 de julho de 2012 | 11h38

"Quem julga, senador, somos nós, mas quem condena Vossa Excelência é o seu passado", afirmou Costa, que ressaltou no início do discurso não ter usado o trabalho de relator do conselho para se promover politicamente. O senador do PT concorrerá nas eleições de outubro à prefeitura de Recife (PE).

Costa enumerou uma série de fatos que, segundo ele, apontam para a quebra de decoro parlamentar. Citou o fato de o senador dizer que desconhecia que Cachoeira havia sido indiciado na CPI dos Bingos, da qual foi integrante, por seis crimes. De ter deixado "dormitando" por dois anos o projeto que criminaliza os jogos de azar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), durante sua presidência.

"Se isso não for utilizar o mandato para atender os interesses de um contraventor, o que será então?", questionou. O relator do conselho disse ainda que Demóstenes defendeu causas caras ao contraventor em vários órgãos federais e estaduais, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

No ponto mais atacado durante o pronunciamento, Costa criticou a defesa por desdenhar o fato de Demóstenes ter recebido um aparelho Nextel de Cachoeira. "Não é aceitável, sob nenhuma hipótese, que o senador tenha suas contas pagas por quem quer que seja, ainda mais de um notório contraventor", disse, lembrando que o telefone fora dado a um grupo seleto de integrantes da organização criminosa.

O relator do conselho disse que não é normal nem aceitável mentir para a sociedade brasileira. Era uma referência a um dos discursos feitos por Demóstenes, segundo o qual as palavras da tribuna são invioláveis.

Costa questionou o fato de o senador ter considerado o relatório dele uma peça de ficção. Ele lembrou que ficção era, sim, o fato de os mais de 300 telefonemas, na defesa feita no dia 6 de março por Demóstenes, serem feitos apenas para cuidar do caso de separação da atual mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, do seu suplente, Wilder Morais. O relator disse que não há uma referência a esse assunto nas conversas.

"A nós cabe responder em nome do povo, para aqui fazer justiça, ainda que isso nos constranja", afirmou, no final do pronunciamento. O relator disse que não espera eclodir aplausos e vivas após o julgamento. Mas finalizou: "A voz rouca das ruas em todo o Brasil vai dizer que a democracia vale a pena".

Tudo o que sabemos sobre:
DEMÓSTENESJULGAMENTO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.