Hugo Napoleão quer assumir governo do PI até sexta

O líder do PFL, senador Hugo Napoleão (PI), disse hoje que espera assumir o governo do Piauí até sexta-feira, no lugar do governador Francisco de Assis de Moraes Souza, conhecido como Mão Santa, que teve seu mandato cassado por decisão unânime do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ontem à noite. O afastamento de Mão Santa do cargo foi determinado porque o Tribunal entendeu que houve abuso de poder econômico e corrupção eleitoral nas eleições de 1998, em ação impetrada por Hugo Napoleão, que, na época, foi o segundo candidato mais votado para o cargo. O senador recebeu hoje uma ligação do presidente Fernando Henrique Cardoso, por volta das 11 horas, que lhe desejou votos de boa sorte no governo. Hugo Napoleão informou que sua primeira providência será a demissão da equipe de Mão Santa para formar um secretariado de emergência para "levantar a situação do Estado". "Estão saqueando as secretarias", disse o senador, que aguarda o envio do ofício do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), marcando a data de sua posse e diplomação. Ele tomou a iniciativa de conversar por telefone com o ministro do TSE, Nelson Jobim, solicitando que a decisão do TSE seja oficializada o mais rápido possível ao Tribunal eleitoral do Piauí. Napoleão assume o governo do Estado por ter sido o segundo candidato mais votado nas eleições de 1998, uma vez que a decisão do TSE também foi pelo afastamento do vice-governador, considerado "beneficiário dos votos" de Mão Santa. Para assumir o cargo, Hugo Napoleão terá que renunciar ao seu mandato de senador, que terminaria em janeiro de 2003. Mas, em contrapartida, poderá disputar a reeleição para o governo do Piauí. Em seu lugar, no Senado, assume o médico cardiologista Benício Sampaio, que ocupou a secretaria de saúde do Estado. Na ação de impugnação da diplomação do governador e do vice, votada ontem no TSE, o senador Hugo Napoleão sustentou que, durante a campanha eleitoral, foram utilizadas práticas de abuso de poder econômico e corrupção eleitoral, como a suspensão do pagamento das contas de água por parte da população e distribuição de bens apreendidos pela Receita Federal. O senador disse ainda, durante entrevista coletiva, que foi identificada no Estado uma "roubalheira no SUS", o que exigiu o trabalho de 65 fiscais do ministério da Saúde.

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