COPS/ACSP
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Huck fala em desejo de ‘liderar uma geração’ na política; ‘Estou aqui’, diz sobre 2022

Apresentador é questionado se ‘tem coragem’ de ser candidato a presidente durante reunião em São Paulo

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2020 | 13h39

Após se negar a entrar na disputa presidencial de 2018, o empresário e apresentador de TV Luciano Huck tem intensificado conversas com diferentes setores e se colocado à disposição para debater uma agenda para o País. Nesta segunda-feira, 21, ao participar de um evento da Associação Comercial de São Paulo, Huck disse querer “mobilizar, liderar e fomentar uma geração” e não evitou responder a uma pergunta sobre a possibilidade de concorrer nas eleições daqui a dois anos. Questionado se “tem coragem” de ser candidato a presidente, respondeu: “Estou aqui”.

As declarações dadas nesta segunda, em reunião do Conselho Político e Social (Cops) da ACSP que o Estadão participou, destoam de comentários recentes, em que Huck evitava dar sinais de que pretende mesmo ser candidato. Para aliados, isso mostra que o apresentador se aprofundou no debate das questões públicas.

“Quero mobilizar, liderar, fomentar uma geração para que a gente participe ativamente das transformações de que o Brasil precisa. Ninguém vai entregar isso de graça para a gente”, disse Huck, ao falar de desigualdades sociais no País. 

“Sobre a questão da coragem (de me candidatar a presidente), estou aqui, não é? Estou aqui conversando sobre temas que não são óbvios para mim, como energia, reformas. Tenho estômago para ouvir opiniões diversas, para estar em cena num momento tão delicado do País. Neste momento, estou sentado aqui como cidadão ativo, que está no debate público.”

Durante a pandemia, a movimentação de Huck entre diferentes setores aumentou – mesmo que virtualmente. Nos últimos dias, o apresentador esteve com líderes do Centro de Debates de Políticas Públicas (CDPP) discutindo desigualdade social; no sábado passado, participou da Global Retail Show 2020, um evento sobre varejo; antes disso, se encontrou com pesquisadores de áreas ligadas a pautas de sustentabilidade e do agronegócio.

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“Desde a eleição passada, ele decidiu ter uma participação cívica no debate nacional. Mais pessoas deveriam sair da zona de conforto”, disse Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo e amigo de Huck.

Após o debate na Associação Comercial, o apresentador almoçou com o ex-senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que coordena o Cops, e o ex-ministro Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. “Ele me surpreendeu (no evento). Não é bobo. Tem boas pessoas o orientando. Ele gosta de política. Vale a pena ter alguém como ele disposto a ir para o debate”, disse Heráclito.

Pessoas próximas ao apresentador não veem motivo para ele antecipar qualquer passo considerado definitivo para o pleito de 2022, como uma filiação partidária ou o anúncio oficial de uma pré-candidatura. Aliados temem que, uma vez que a pré-candidatura seja oficializada, Huck perca espaço tanto na TV quanto entre grupos que não queiram se associar a partidos políticos. “Agora é a hora em que ele está reivindicando protagonismo, debatendo e propondo situações para o País. É o momento de fazer isto”, afirmou o ex-deputado Roberto Freire, presidente nacional do Cidadania – que tem publicamente deixado abertas as portas da legenda para o apresentador.

Logo após as eleições de 2018, Huck disse, em entrevista ao Estadão, não enxergar nas propostas do presidente Jair Bolsonaro “um projeto de País”. No evento de ontem, ele pediu foco aos temas municipais. “(Não quero) personificar ou fulanizar, em mim ou outra pessoa, um debate eleitoral majoritário que não está em voga neste momento. Isso mais atrapalha que ajuda, e Brasil afora tem gente mais preocupado com a eleição (de 2022) do que em atender às necessidades das pessoas. Temos neste ano um ciclo eleitoral nas cidades e a política começa nas cidades.” 

Entusiasta de movimentos como o RenovaBR e o Agora!, Huck afirmou ontem que o caminho para melhorar o País está na política. “Só o Estado, que é gerido pela política, tem o poder exponencial de transformação. E a política é gerida pelos políticos. Acho importante esta convocação geracional, atrair o que tem de melhor na sociedade civil para chegar perto da política.”

'Essa é a década da bioeconomia'

O apresentador Luciano Huck defendeu que o Brasil se torne uma nação agroindustrial sustentável, aliando o potencial da agronegócio à preservação ambiental. Para ele, esta é uma forma de atrair investimentos e transformar o País em uma “potência verde”. “O mundo quer investir em economias limpas”, disse.

“Precisamos de lideranças que enxerguem com clareza essa oportunidade. O que tem prevalecido nos últimos anos é a visão que endossa o extrativismo predador. Essa é a década da bioeconomia, com floresta em pé.”

Segundo Huck, há convergências entre bandeiras do agronegócio e do ativismo ambiental. “Converso com os dois lados e encontro pontos em comum”, afirmou, sem dar exemplos. “Precisamos romper radicalmente com o debate raso, o litígio entre agricultura e meio ambiente, produção e sustentabilidade.” 

 

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