Hospital do Câncer vai ampliar radioterapia

Uma doação de quase US$ 350 mil da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) - a mesma que coordena as inspeções de armas nucleares no Iraque - vai possibilitar a modernização do atendimento de radioterapia no Hospital do Câncer, um dos mais importantes da área no País. De acordo com o projeto, o hospital receberá novos equipamentos e treinamento especializado em dosimetria tridimensional computadorizada, tecnologia que permite atacar tumores de forma mais precisa e segura. "Poderemos concentrar mais as doses de radiação sobre o tumor e ao mesmo tempo errar menos, diminuindo os efeitos colaterais sobre tecidos saudáveis", explica o diretor do Departamento de Radioterapia, João Victor Salvajoli.O hospital já conta com um acelerador linear (emissor de radiação) de última geração e outras tecnologias de ponta para o mapeamento e tratamento de tumores. O que os novos equipamentos farão é tornar esses processos ainda mais refinados."É mais ou menos como um carro; você pode comprar o modelo básico ou com ar-condicionado e rodas de liga leve. O Ministério da Saúde já nos deu o básico, o que é ótimo. Agora, para chegar ao carro esporte, precisamos de ainda mais tecnologia", diz a física médica e coordenadora do projeto, Gisele Castro Pereira.Ela se refere ao Projeto de Reequipamento Hospitalar na Área de Radioterapia do ministério, que investiu US$ 15 milhões na compra de aceleradores lineares para vários hospitais. Cada máquina custa US$ 1 milhão.O do Hospital do Câncer, que realiza 70% do seu atendimento pelo SUS, foi o primeiro a ser instalado, em abril. Os novos equipamentos incluem três tipos de dosímetros, que funcionam junto ao acelerador para medir a potência e a incidência da radiação sobre os tecidos."Precisamos saber se a dose é certa e se o tempo de aplicação é certo", afirma Gisele. Além de um melhor controle de qualidade - hoje feito com serviços terceirizados - os aparelhos possibilitarão a introdução de novas terapias, maximizando o uso do acelerador linear."Tudo depende de aplicações milimétricas", completa Salvajoli. A mesma radiação que destrói o tumor também pode acabar com tecidos sadios ao redor - maior complicação da radioterapia.A tecnologia já existe em hospitais privados, como Einstein e Sírio Libanês, além do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio. Um dos pontos fortes do projeto que chamou a atenção da AIEA, além do atendimento público, foi o compromisso de compartilhar o conhecimento com outras instituições no Brasil e na América Latina.A idéia é criar um curso de aperfeiçoamento em física médica e radioterapia, associado a um centro de treinamento de dosimetristas, inédito no País. "A meta é facilitar o acesso à tecnologia o máximo possível", afirma Salvajoli.O Hospital do Câncer já capacita cerca de 50% dos oncologistas do País. Dos US$ 341 mil doados para o projeto, mais de US$ 100 mil são para programas de treinamento e intercâmbio institucional.Ao fim de 2004, o hospital deverá realizar um congresso sobre o tema, no qual Gisele publicará um manual sobre o uso da tecnologia. Os equipamentos, todos importados, devem chegar em julho. A AIEA é a agência das Nações Unidas que supervisiona todos os usos da energia atômica no mundo, tanto para fins pacíficos como militares.

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