Hospital de Sorocaba sofre denúncia de atendimento desumano

A falta de equipamentos, funcionários e materiais para exames simples obrigam pacientes em precárias condições de saúde a esperar até três meses pelo atendimento no Hospital Regional de Sorocaba, mantido pelo Governo do Estado. Mesmo recebendo 11 mil pacientes por mês, o Regional, maior unidade hospitalar do sudoeste do Estado, atende a apenas 50% da demanda. A denúncia foi feita pelos integrantes do Conselho Municipal de Saúde, após vistorias realizadas esta semana às instalações do conjunto hospitalar. Segundo o deputado de Sorocaba, Hamilton Pereira (PT), integrante da comissão, o setor de fisioterapia está paralisado há mais de dois anos. A falta de kits para a realização de 15 exames diferentes tem acarretado a perda de amostras de sangue, que permanecem congeladas além do prazo de validade. Exames de ultrassonografia urológica e de articulações não são realizados por falta de funcionários para operar os equipamentos. O hospital também não dispõe de aparelhos para eletroencefalograma. "Essa defasagem de equipamentos e pessoal faz com que pacientes tenham que esperar até três meses pelo atendimento", disse Pereira. Ele observou que há filas em vários setores. No de oncologia, onde são atendidos pacientes com câncer, cerca de 80 pessoas esperavam até três horas pela consulta. "As pessoas são submetidas a condições desumanas." O deputado disse que vai encaminhar um relatório das vistorias à Secretaria de Estado da Saúde.Pereira e o deputado Caldini Crespo (PFL), também de Sorocaba, propuseram a formação de uma Comissão de Representação na Assembléia Legislativa para investigar as irregularidades. Foi marcada audiência pública para o dia 19, na Câmara de Sorocaba, para discutir a situação do Regional. O diretor técnico do hospital, José Mauro da Silva Rodrigues, disse que as denúncias têm caráter alarmista. Segundo ele, o Ministério da Saúde avaliou recentemente os serviços do Regional considerando-os de boa qualidade. Já foi elaborado um plano diretor para o conjunto, prevendo a reforma de seis unidades de atendimento e a compra de equipamentos, como dois tomógrafos e dois eletroencefalogramas.

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