Hospital cria leite humano desnatado

O pequeno Gabriel nasceu antes de a gestação completar sete meses. Prematuro e pesando só 840 gramas, ele tinha ainda um problema que provocava depósito de gordura em seus pulmões. Foi pensando em salvar esse bebê que a equipe do Banco de Leite do Hospital Municipal Universitário (HMU) de São Bernardo do Campo desenvolveu o leite materno desnatado. A iniciativa é inédita no País. Como Gabriel não podia ingerir gordura, a única alternativa era alimentá-lo com leite desnatado industrializado. "Mas o bebê perderia a proteção proporcionada pelo leite materno, como anticorpos e fatores de crescimento", ressalta a pediatra Marisa da Matta Aprile, coordenadora do Banco de Leite do HMU. O problema foi resolvido com uma técnica capaz de eliminar a gordura do leite produzido pela mãe do bebê. Depois de o leite ser retirado e descansar por algumas horas, seus componentes se separam sozinhos, formando três camadas. A de baixo contém os fatores de proteção e crescimento; na camada do meio, há cálcio, fósforo e proteínas. Toda a gordura do leite sobe, formando a camada de cima. Com um instrumento de laboratório, a gordura é retirada por aspiração. Análises em laboratório comprovaram que, depois desse processo, o leite fica com teor zero de gordura. O leite materno desnatado alimentou Gabriel durante os cinco meses em que ele permaneceu internado. Gabriel está com 1 ano e 7 meses. Para o coordenador da Rede Nacional de Bancos de Leite Humano, João Aprigio Guerra de Almeida, o desenvolvimento do HMU mostra que alternativas nacionais usando leite humano podem substituir produtos industrializados importados. "E com mais eficácia para responder às necessidades do bebê." Os bancos de leite são essenciais para atender recém-nascidos de risco. Enquanto o bebê não tem força para mamar no peito da mãe, o leite é retirado e armazenado para uso futuro. Em todo o País, há 163 bancos de leite humano.

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