Hospital alerta para casos de aids na 3ª idade

Levantamento feito no ambulatório do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle constatou que, no período de 1995 a 2001, foram registrados 86 casos de contágio pelo vírus HIV em pessoas da terceira idade. "Antes disso tivemos apenas um caso, no início da década de 90. Mas essa vai ser uma questão do novo milênio", alerta o coordenador do programa de pesquisas em aids do Gaffrée, o médico Carlos Alberto Morais de Sá. Para ele, é o momento de se pensar em um trabalho de prevenção voltado especificamente para este grupo. "Uma campanha educativa, explicando a importância do uso da camisinha, seria bem-vinda", comenta. Morais de Sá acredita que uma série de fatores está colaborando para o aumento do número de pacientes portadores de HIV acima de 60 anos. Na busca de uma melhor qualidade de vida, com mais felicidade e prazer, diz o médico, as pessoas se submetem a tratamentos que não só retardam o envelhecimento como garantem mais tempo para a sua vida sexual. "Reposição hormonal, colocação de próteses ou medicamentos como o Viagra são alguns exemplos de tratamentos recentes usados para dar às pessoas mais qualidade de vida", exemplificou o médico. Além disso, aponta Morais de Sá, a população da terceira idade está aumentando no País. O levantamento surgiu depois que alguns médicos do hospital começaram a detectar um aumento de atendimentos a esta faixa etária no ambulatório. "Esse comentário surgia com freqüência em nossos grupos de estudo", diz o médico. No estudo feito por uma professora do serviço social do Gaffrée ficou constatado que das 86 pessoas soropositivas, 57 estavam na faixa de 61 a 65 anos (41 do sexo masculino e 16 do feminino). Acima de 65 anos são 29 pacientes (21 do sexo masculino e 8 do sexo feminino). O ambulatório atende diariamente cerca de 40 pessoas, de todas as idade. De acordo com o coordenador do programa de pesquisa de aids um ou dois casos, com pacientes de mais de 60 anos são registrados diariamente. Morais de Sá chama a atenção para o fato de que diversos casos devem estar sendo ignorados por preconceito dos próprios médicos. "Um dos sintomas mais comuns é a pneumonia. Como é uma infecção freqüente nos idosos, os médicos não pensam em mandar fazer exame de HIV. E assim não se faz um diagnóstico a tempo ou correto", afirma.

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